sábado, 1 de setembro de 2012

Melancolia (Melancholia)


Dir.: Lars Von Trier; Escrito por Lars Von Trier; Com Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland. 2011 - Califórnia (136 min. - 14 anos)


À primeira vista, a história de "Melancolia" é bem bobinha: um planeta chamado Melancolia está cada vez mais se aproximando da Terra, fazendo com que o fim do nosso planeta seja iminente. Porém, o diretor e roteirista Lars Von Trier faz desta sinopse bobinha um filme trágico, mas ao mesmo tempo, muito bonito.

O longa começa com uma belíssima sequência de imagens quase estáticas, como se fossem quadros em movimento, dos acontecimentos que antecedem o fim do mundo. Dessa forma, Von Trier determina o tom de todo o filme: lindo e triste; utópico e real.

Reforçando estes paradoxos estão a fotografia e as atuações. A fotografia do chileno (naturalizado dinamarquês) Manuel Alberto Claro é muito bonita e intensifica o tom fantástico do filme, visualmente falando.

Já as atuações procuram mostrar que mesmo tendo tons irreais, a história no centro de "Melancolia" trata, na verdade, das pessoas, da realidade. Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg estão ótimas como as duas irmãs Justine e Claire, respectivamente.

Por sinal, as duas irmãs por si só já são um paradoxo: enquanto Claire está extremamente preocupada com a chegada de Melancolia à Terra, uma vez que tem marido e filho, Justine, que já perdeu toda e qualquer esperança que tinha no planeta Terra, não se preocupa nem um pouco se o mundo vai acabar ou não (Justine até diz para sua irmã: "se você acha que eu tenho medo de um planeta, você é muito idiota").

Além de Dunst e Gainsbourg, o filme conta com a presença de Kiefer "Jack Bauer" Sutherland como o marido de Claire, um ricaço apaixonado por astronomia, Alexander Skarsgard como o marido de Justine, Charlotte Rampling e John Hurt como os pais das duas irmãs e Stellan Skarsgard como o chefe desprezível de Justine: todos muito bem em seus respectivos papeis, mas o filme é mesmo das duas protagonistas.

Falando do roteiro, enquanto o visual do filme representa a fantasia, e os personagens a realidade, é a escrita de Von Trier que une esses dois extremos numa história convincente e envolvente, e que apesar de ser (desculpe o trocadilho) melancólica, possui também alguns momentos de humor, principalmente durante a festa de casamento de Justine.

Ganhador do prêmio de melhor atriz em Cannes para Kirsten Dunst, "Melancolia" infelizmente perdeu o prêmio de melhor filme do festival para o superestimado "A Árvore da Vida" de Terrence Malick e vêm sendo esnobado pela enorme maioria das premiações (exceto pelo European Film Awards, no qual ganhou três prêmios: melhor filme, melhor fotografia e melhor design). Portanto, se Lars Von Trier não tivesse feito piadinha anti-semita sem graça em Cannes, seu filme poderia ter sido mais reconhecido. 



NOTA: 3.5/5


For Colored Girls (For Colored Girls)


Dir.: Tyler Perry; Escrito por Tyler Perry; Com Janet Jackson, Loretta Divine, Tandie Newton, Kimberly Elise. 2010 - Lionsgate (133 min.)


Qualquer um que saiba pelo menos um pouco sobre o mercado cinematográfico norte-americano conhece este nome: Tyler Perry. Para quem não o conhece, Perry é atualmente o diretor afro-americano mais conhecido e bem-sucedido com o público, principalmente o negro, nos EUA (mesmo que os críticos não gostem tanto de seus filmes). Além disso, Perry tem uma marca impressionante: em apenas seis anos, ele já dirigiu, escreveu e produziu onze longas. Curioso, afinal já tinha ouvido falar de Perry várias vezes, mas nunca havia visto um filme seu, resolvi assistir a um de seus projetos: no caso, "For Colored Girls".

O nono filme da carreira de Perry, "For Colored Girls" é baseado numa peça de 1975 chamada "For Colored Girls Who Have Considered Suicide When the Rainbow Is Enuf" e conta os dilemas de um grupo de mulheres negras da cidade de Nova York.

A maior qualidade do filme, sem dúvidas, é o seu elenco feminino. Com atrizes negras veteranas (Janet Jackson, Loretta Devine, Whoopi Goldberg) e ascendentes (Thandie Newton, Kerry Washington, Anika Noni Rose), são elas que fazem do filme algo especial e comovente. Isso sem falar nas performances, que são muito boas. Além disso, o roteiro de Perry também é bastante interessante, mesmo que às vezes escambe para o melodrama.

Um dos artifícios mais engenhosos do filme (talvez querendo aproximá-lo da peça) começa a ser usado apenas na segunda metade do longa: muitas personagens interpretam belos e poéticos monólogos de repente, durante um diálogo com outra personagem. Apesar disto causar um certo estranhamento de início, com o passar do tempo vê-se que esses monólogos são usados para ajudar na construção das personagens e de seus dramas.

Enfim, apesar de ser meio melodramático e um pouco longo demais (o relógio crava em 133 minutos), "For Colored Girls" é um filme bastante interessante, por causa de suas personagens como também por sua história triste, mas que traz uma bela mensagem de esperança. Então, se conseguir encontrá-lo (acho que só baixando ou, como eu fiz, assistindo no Netflix), tente assistí-lo. No mínimo vai ser uma experiência diferente. 


NOTA: 3.5/5


Embriagado de Amor (Punch-Drunk Love)


Dir.: Paul Thomas Anderson; Escrito por Paul Thomas Anderson; Com Adam Sandler, Emily Watson, Philip Seymour Hoffman. 2002 - Sony (95 min. - 14 anos)


A primeira cena de "Embriagado de Amor" é extremamente estranha: Barry Egan está num galpão, falando ao telefone com um atendente de telemarketing, quando sai na rua e presencia um acidente de carro. Então, logo após o acidente, aparece um furgão e deixa na sua frente um harmônio, um tipo de órgão pequeno. Ele olha aquilo tudo e volta para dentro do galpão onde estava.

Qual é o sentido dessa cena? E de algumas cenas seguintes como a ligação extremamente acanhada de Barry para o disque-sexo ou as sequência dele comprando dezenas de caixa de pudim no mercado só para ganhar milhas aéreas (sendo que ele não pretende viajar)? "Embriagado de Amor é isso: um filme sem sentido. Mas que mesmo assim, conseguiu me envolver.

Para falar a verdade, o filme não faz sentido, pois a vida de Barry também não faz o menor sentido. Isso até ele se apaixonar por Lena, uma amiga de uma de suas sete irmãs. É ela que vai começar a fazer com que Barry veja a vida com outros olhos, trazendo não necessariamente uma explicação, mas alguma força dentro de si que lhe diga o porquê de todas aquelas esquisitices.

Dirigido por Paul Thomas Anderson (diretor do espetacular "Sangue Negro"), "Embriagado de Amor" é uma comédia romântica diferente de qualquer outra. A fotografia, belíssima por sinal, traz um tom meio fantástico para todo o filme, com muitos reflexos de luz e cores fortes e contrastantes. Isso sem falar, na trilha sonora de Jon Brion que é bastante peculiar, assim como o longa no geral.

As atuações também são muito boas, principalmente do casal principal formado por Adam Sandler e Emily Watson. Entretanto, Sandler merece ainda mais elogios porque é um alívio vê-lo fora de bombas como "Cada um Tem a Gêmea que Merece", além de ter uma ótima performance como o atormentado Barry.

Por esta produção, Anderson levou um merecido prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes em 2002. Além disso, o filme foi indicado à Palma de Ouro do festival, assim como Sandler recebeu uma indicação a melhor ator em filme comédia/musical nos Globos de Ouro.

Enfim, "Embriagado de Amor" é aquele típico filme ame-ou-odeie. Mas pode ser que você não entenda nada, mas ame-o do mesmo jeito. 


NOTA: 3.5/5


Crepúsculo dos Deuses (Sunset Blvd.)


Dir.: Billy Wilder; Escrito por Charles Brackett, Billy Wilder, D.M. Marshman Jr.; Com Gloria Swanson, William Holden, Erich von Stroheim. 1950 - Paramount (110 min. - Livre)


Não só tem um belo título em português, que sintetiza muito bem a ideia de fim e resssurgimento das grandes estrelas, "Crepúsculo dos Deuses" é um dos melhores filmes hollywoodianos que falam sobre a própria Hollywood.

O filme acompanha seis meses da vida do roteirista mal-sucedido Joe Gillis, que ao fugir de credores numa perseguição de carro, estaciona numa mansão velha e mal conservada. Porém, ao adentrar a casa, descobre que lá vive ninguém menos que uma das maiores estrelas do cinema mudo: Norma Desmond.

Entretanto, o apogeu da carreira de Desmond já passou faz tempo e a atriz vive isolada da sociedade desde então, tendo como companhia apenas o seu mordomo Max. Porém, durante anos ela vinha planejando o seu retorno às telas com um épico sobre a história de Salomé dirigido por Cecil B. DeMille, e obviamente, protagonizado por ela mesma. Por causa disso, Joe é contratado por Norma para revisar o roteiro escrito por ela, e assim inicia-se uma relação amor/dinheiro entre os dois. Mas o que Norma não esperava era o relacionamento de Joe e Betty Schaefer, uma funcionária dos Estúdios Paramount, com quem Joe está escrevendo, às escondidas, o roteiro de um romance.

A maior qualidade de "Crepúsculo dos Deuses" é sem dúvida a sua acidez e a forma crua com que fala sobre Hollywood. Ao mesmo tempo em que é a Terra dos Sonhos, a capital do cinema norte-americano também é um lugar onde poucos alcançam o sucesso, e somente alguns destes o mantêm para sempre.

Outra crítica que o filme faz à Hollywood é a importância dada à beleza. Numa cena, Betty diz que esperava ser uma estrela, já que vêm de uma família do cinema (seu pai era eletricista-chefe e sua mãe figurinista), porém não consegue atingir seu objetivo, pois num primeiro teste lhe disseram que seu nariz não era bonito, e apenas no segundo teste (após Betty ter se submetido a uma cirurgia plástica), lhe disseram que seu jeito de atuar não era bom. Noutra cena ótima do longa, Norma, ao achar que vai filmar seu filme sobre Salomé, resolve chamar diversos esteticistas para lhe aplicarem os melhores produtos e técnicas cosméticas. Tudo isso para, antes de tudo, aparecer bonita diante das câmeras.

As atuações, principalmente dos protagonistas William Holden e Gloria Swanson, são ótimas. Holden personifica muito bem o homem endividado que vê na antiga estrela do cinema a chance de mudar de vida, já Swanson atua bem acima do tom propositalmente. A sua personagem não aceita o fato de que o seu tempo já passou, e portanto faz de tudo para parecer uma diva, mesmo nos seus momentos mais íntimos.

A fotografia em preto-e-branco é belíssima, assim como o figurino. As roupas de Norma Desmond, especificamente, expressam muito bem a dramaticidade de suas falas e atitudes. A direção de arte, que monta fielmente sets dos anos 1940/50, assim como a mansão decadente de Desmond, é bastante elaborada e minuciosa. A trilha-sonora de Franz Waxman, bastante dramática, traz muito impacto a cenas cruciais do longa, principalmente no final impactante.

Indicado a 11 Oscars em 1950 - filme, diretor, atriz, ator, roteiro (ganhou), ator coadjuvante, atriz coadjuvante, direção de arte em preto-e-branco (ganhou), fotografia em preto-e-branco, edição e trilha sonora (ganhou) - , "Crepúsculo dos Deuses", dirigido pelo mestre Billy Wilder, irritou muita gente quando foi lançado (Louis B. Meyer, um dos fundadores da MGM, foi uma dessas pessoas), mas hoje em dia é extremamente celebrado por ter tido a coragem de criticar a própria indústria que produziu o filme. 



NOTA: 4/5


Garota da Vitrine (Shopgirl)


Dir.: Anand Tucker; Escrito por Steve Martin; Com Claire Danes, Steve Martin, Jason Schwartzman. 2005 - Fox (106 min. - 12 anos)


"Garota da Vitrine" possui uma história bastante simples, mas curiosa: uma balconista da Saks em Los Angeles, Mirabelle, conhece e se relaciona amorosamente com dois homens totalmente opostos: o artista extremamente desleixado Jeremy e o ricaço galanteador Roy. E então, com quem Mirabelle vai ficar? Bom, isso eu não posso contar, mas posso comentar o filme.

O aspecto mais interessante de "Garota da Vitrine" são exatamente os opostos explorados pelo roteiro. Desde as diferenças gritantes entre Jeremy e Roy até às suas respectivas primeiras-noites com Mirabelle, que também foram bem diferentes uma da outra, os opostos estão presentes em toda a trajetória da balconista. Seus encontros com Jeremy ocorrem em plena rua, afinal ele não tem dinheiro para gastar em local algum, já quando está com Roy, ela frequenta restaurantes chiques e come e bebe do bom e do melhor. O apartamento de Mirabelle é pobre, mas arrumado, enquanto o de Jeremy é pobre, mas bagunçado, e a casa de Roy é arrumada como a casa de Mirabelle, mas extremamente luxuosa.

Outra grande qualidade de "Garota da Vitrine" são suas personagens e seus respectivos intérpretes. Claire Danes como Mirabelle é incrivelmente simpática e entrega uma ótima performance. Jason Schwartzman como Jeremy e Steve Martin como Roy também estão bastante críveis e incorporam seus personagens. Por causa deste trio, podemos acreditar que tudo o que acontece ao longo do filme pode acontecer na vida de qualquer um.

Porém, o filme tem um grande defeito: o ritmo. A primeira meia hora do longa é uma verdadeira comédia romântica, recheada de situações hilárias e divertidas (a cena em que Jeremy tenta convencer Mirabelle a usar um saco plástico como uma camisinha é um exemplo disso). Entretanto, a partir do momento em que Roy surge no longa, Jeremy quase não aparece mais e "Garota da Vitrine" torna-se definitivamente um drama. O grande problema do filme é exatamente esta transição brusca da comédia para o drama. O ideal seria o equilíbrio entre o drama de Mirabelle e Roy e a comédia de Mirabelle e Jeremy, mas como o personagem de Schwartzman (quase) desaparece no meio do filme, o drama toma conta e nem parece que o filme começou como uma ótima comédia.

No fim, o longa dirigido por Anand Tucker e escrito por Steve Martin (baseado no livro "Shopgirl" de sua autoria) é simplesmente um simpático drama com personagens igualmente simpáticos. 

NOTA: 3/5


Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's)


Dir.: Blake Edwards; Escrito por George Axelrod; Com Audrey Hepburn, George Peppard, Mickey Rooney. 1961 - Paramount (115 min. - Livre)


Quando o nome de Audrey Hepburn é citado, a enorme maioria das pessoas já se lembra de Holly, a adorável garota de programa de "Bonequinha de Luxo". Seja a cena inicial do filme, na qual Audrey, vestida de preto, toma um copo de café e come um croissant em frente às luxuosas vitrines da loja da Tiffany & Co. em Nova York, seja a enorme piteira de Holly ou a música-tema Moon River, até mesmo quem nunca viu este clássico conhece um ou outro momento do filme. Não é por acaso que "Bonequinha de Luxo" é um dos filmes mais adorados de todos os tempos.

Baseado no livro escrito por Truman Capote, o longa conta a história de Holly, uma bela jovem que para ganhar a vida, já que não alcançou a fama que tanto queria, trabalha como garota de programa de luxo. Por causa disso, vive sendo perseguida por homens ricos, mas não necessariamente atraentes, que sempre querem um pouco mais de seus dotes.

Porém, um dia chega à sua porta o seu mais novo vizinho, o atraente Paul, que ela insiste em chamar de Fred, já que ele supostamente se parece com seu irmão, o tal do Fred. Mas se de início eles se dão bem, ao suspeitar que Paul é um michê, mesmo que seja apenas um escritor fracassado, Holly faz de seu novo vizinho seu melhor amigo, já que eles possuem realidades tão parecidas, recheadas de inúmeros sonhos não realizados.

Enquanto isso, Holly faz de tudo para arranjar um marido rico e mudar completamente de vida. Seu maior alvo é o empresário brasileiro José da Silva Pereira, buscando sempre a ajuda de seu grande amigo, Paul, para conquistá-lo.

Dirigido por Blake Edwards, "Bonequinha de Luxo" é uma ótima comédia romântica, daquelas que faz a gente rir, se emocionar e criar uma empatia enorme por seus protagonistas. Audrey Hepburn está incrível como Holly e mostra o porquê ela foi uma das maiores estrelas de Hollywood: seu carisma é inesgotável. Além disso, a sua química com George Peppard, intérprete de Paul, é ótima e faz do filme algo maior.

Os figurinos e a bonita trilha sonora de Henry Mancini, colaborador frequente de Blake Edwards e autor do icônico tema dos filmes da "Pantera Cor-de-Rosa", apenas contribuem para deixar o clima do filme ainda mais elegante, mas ao mesmo tempo divertido. A direção de Edwards também é ótima. Exemplo disso é a cena da festa dentro do apartamento de Holly.

Entretanto, o filme tem as suas pequenas falhas. A principal delas é a forma como personagens estrangeiros são apresentados, de forma totalmente estereotipada. O personagem mais esculachado é o do vizinho de Holly, sr. Yunioshi, interpretado por Mickey Rooney. Yunioshi é um asiático, pelo que parece chinês, que é extremamente atrapalhado, mas esse não é o problema. O que incomoda é que o homem tem dentes que mal cabem dentro da boca, troca "L" por "R" e é bem espalhafatoso. O empresário pelo qual Holly está "interessada", o brasileiro José também é vítima de alguns estereótipos, entre eles a pronúncia de seu nome (todos pronunciam a versão espanhola do nome, com "J" com som de "R"), o seu sotaque francês e algumas referências à cultura espanhola como se fossem brasileiras. Pelo menos numa cena Holly está aprendendo português (mesmo que seja o lusitano), e fala que o idioma é muito difícil (fato!). Mas não se preocupe, nenhuma das falhas acaba com o charme do filme.

Engraçado, comovente, icônico, entre outros adjetivos muito positivos, "Bonequinha de Luxo" tem uma história atemporal (apesar de seus estereótipos bem datados) e que felizmente encanta cada vez mais pessoas ao redor do mundo. 

NOTA: 4/5


Os Miseráveis (Les Misérables)


Dir.: Bille August; Escrito por Rafael Yglesias; Com Liam Neeson, Geoffrey Rush, Uma Thurman, Claire Danes. 1998 - Sony (134 min.)


Jean Valjean é o prefeito de uma pequena cidade no interior da França. Todos o consideram uma ótima pessoa, afinal procura sempre ajudar quem precisa, além de estar do lado dos pobres. Entretanto, Valjean esconde um grande segredo: na verdade, ele é um ex-criminoso que ficou preso por 19 anos em Toulon por ter roubado comida, pois estava passando fome.

Mas o que Valjean não sabia era que um dos guardas que o agrediram na prisão estava chegando à sua cidade. Javert é um inspetor de polícia transferido de Paris que, inicialmente, não reconhece no prefeito a identidade de Valjean, mas após uma demonstração de força do mesmo, passa a suspeitar dia após dia da real identidade daquele homem.
Paralelo a isso, Fantine, uma operária da fábrica de Valjean, é demitida, pois vem tona o segredo que ela guardava às sete chaves: ela possuía uma filha bastarda. Porém, quando perde o emprego, Fantine vê-se numa situação insustentável, já que precisa de dinheiro para manter a sua filha, Cosette, na casa da família Thénardier (que cuidam da menina) e pagar o aluguel de seu quarto na cidade.

Para resolver esses problemas financeiros, Fantine torna-se prostituta. Porém, numa noite, Fantine é agredida por um grupo de rapazes, e para se defender ela bate num dos integrantes do grupo. Ao ver a cena, Javert leva-a para a prisão e a condena a seis meses de prisão, o que pioraria ainda mais a situação da ex-operária. Felizmente, o prefeito fica sabendo da situação e tira Fantine da cadeia, e a leva para a sua casa onde ela possa se recuperar de seus machucados e da gripe que havia pegado. Dessa forma, Valjean passa a se aproximar de Fantine.

Daí em diante, não posso contar mais, mas posso dizer que "Os Miseráveis", adaptação do livro homônimo de Victor Hugo é um drama de época muito envolvente e impactante. Isto se deve à obra que inspirou ao filme, pois esta não só possui uma história muito interessante como também traz muitas questões sociais de extrema importância tanto na época em que foi escrito quanto nos dias atuais.

A forma com que o governo tratava os pobres e o estado sujo e decadente das ruelas de Paris mostravam o quanto a vida no período pós-Revolução Francesa foi conturbado. Além disso, revoltas e crimes eram cada vez mais comuns nos grandes centros franceses. A miséria estava tomando conta do país, financeira e eticamente falando. Daí o nome da obra: "Os Miseráveis".

O filme propriamente dito, não é perfeito, mas apresenta de forma eficiente a trama de Victor Hugo aos não anunciados, como também parece resumir bem o livro sem que os valores deste sejam corrompidos ou minimizados, de acordo com o que as críticas atribuídas ao filme dizem.

O elenco, ancorado por nomes conhecidos como Liam Neeson como Valjean, Geoffrey Rush como Javert, Uma Thurman como Fantine e Claire Danes como Cosette, também não decepciona e oferece ótimas performances.

Tecnicamente falando, o filme dirigido por Bille August é extremamente cuidadoso. Sejam os cenários ou o figurino, tudo procura retratar a França do século XIX com a maior precisão. Além disso, as cenas de revoltas nas ruas de Paris são muito bem feitas e conseguem manter o espectador atento. A trilha sonora de Basil Poledouris também é muito bonita e contribui para a construção de um clima épico à fita.

Enfim, "Os Miseráveis" é o filme perfeito para se assistir tanto num sábado à tarde quanto numa aula de História. Divertido e eficiente, mas ao mesmo tempo, informativo. 


NOTA: 3.5/5