terça-feira, 31 de julho de 2012

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises)


Dir.: Christopher Nolan; Escrito por Jonathan Nolan e Christopher Nolan; Com Christian Bale, Gary Oldman, Anne Hathaway, Tom Hardy. 2012 - Warner (165 min. - 12 anos)


Todo mundo sabe o que aconteceu num cinema em Aurora, uma cidade de mais de 300 mil habitantes, no estado do Colorado, Estados Unidos. Um homem começou a atirar na plateia durante a exibição de um dos filmes mais esperados (se não o mais esperado) do ano, "Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge". A partir daí, tornaram-se constante as reportagens sobre o caso na televisão, falando da tragédia e do assassino, nesse processo quem saiu prejudicado (além das vítimas e familiares, é claro) foi o filme, que ficou com fama de amaldiçoado e tal. Uma pena, pois é um ótimo projeto manchado por circunstâncias externas a ele.

Se em "Batman Begins" o diretor e co-roteirista Christopher Nolan explorou o medo e suas consequências na moral da população de Gotham City, e em "Batman - O Cavaleiro das Trevas" ele abordou o caos e a sua influência nos civis, em "Ressurge" Nolan abre um leque de temas diversos: dor, amizade, vingança, lealdade, superação, desigualdade e por aí vai. E uma das maiores qualidades deste terceiro e último capítulo da trilogia "Cavaleiro das Trevas" é conseguir dar a todos estes temas um espaço de tempo razoável e encaixá-los de forma convincente na história.

O filme também ganha pontos com a sua história bem construída e bastante atual. Um dos elementos mais importantes da trama é a rebelião popular liderada por Bane a fim de derrubar os ricos e poderosos da cidade. Ao assistir ao longa, não é difícil recordar do movimento Occupy Wall Street, que aglomerou diversas pessoas no centro financeiro de Nova York numa forma de lutar contra o 1% detentor das maiores riquezas do país. Curiosamente, o filmagens do longa ocorreram em Wall Street durante essas manifestações.

Outra qualidade do filme é a boa construção dos personagens. Enquanto alguns personagens foram estudados durante toda a saga como Bruce Wayne, outros, cuja primeira aparição ocorre neste filme, também têm apresentação e desenvolvimento satisfatórios. O grande vilão do filme, Bane, vivido muito bem por Tom Hardy, apesar de ter as suas expressões limitadas, já que usa o tempo inteiro uma máscara sobre seu nariz e boca, tem uma história interessantíssima e é, na minha opinião, apesar de não ser tão marcante como o Coringa, antagonista do filme anterior, o vilão mais humano não só desta trilogia, mas de todos os outros filmes do homem-morcego.

A outra vilã (ou heroína. Depende do ponto de vista.) do filme, a Mulher-Gato, também é bem explorada. A sua história de ladra de joias, moradora de um apartamento decadente numa área ruim de Gotham City que se torna uma das personagens mais importantes na salvação da cidade é interessante e ganha mais profundidade pelas mãos da ótima Anne Hathaway, que apesar de não ser a Mulher-Gato mais marcante (Michelle Pfeiffer ainda ganha!), consegue construir uma versão humanizada de uma personagem bem caricaturesca e fetichista.

Uma conclusão de respeito para uma das séries mais bem-feitas no cinema, no que diz respeito à qualidade narrativa e técnica, "Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge", ao mesmo tempo em que mantém portas abertas para novas adaptações, fecha de forma redondinha e satisfatória a saga do herói.

P.S. Para melhor entendimento do enredo do filme, recomendo assistir aos dois filmes anteriores.

NOTA: 4/5


sábado, 28 de julho de 2012

Valente (Brave)


Dir.: Mark Andrews, Brenda Chapman e Steve Purcell (co-diretor); Escrito por Mark Andrews, Steve Purcell, Brenda Chapman e Irene Mecchi. Com Kelly MacDonald, Emma Thompson, Julie Walters. 2012 - Disney (93 min. - Livre)


Dentre os mais famosos estúdios de animação em Hollywood, de longe, o mais celebrado é a Pixar. Na ativa desde 1986 como produtora de filmes, a empresa sempre recebeu os mais diversos elogios por sua inventividade e pela maneira com que valoriza personagens e histórias ao mesmo tempo em que aprimora sua tecnologia.

Entretanto, depois de anos de céu de brigadeiro, em 2011, a Pixar tomou o seu primeiro grande baque: apesar de ter sido um grande sucesso nas bilheterias, "Carros 2" foi para muitos a prova de que o estúdio não era infalível. A sequência do filme de 2006 é, sem dúvidas, o longa mais criticado já executado pela empresa. Mas como não é boba nem nada, em 2012, a Pixar resolveu dar a volta por cima e nos trouxe "Valente", uma deliciosa aventura passada nas Highlands escocesas.

Apesar de não ser um clássico como vários outros filmes do estúdio e não ter um roteiro tão original assim, "Valente" ganha pontos por ter uma das protagonistas mais interessantes vistas esse ano: Merida, a princesa rebelde. Com seus longos e encaracolados cabelos vermelhos, a menina é uma figura vibrante e cativante, que consegue fazer de seu filme algo muito mais do que poderia ser.

A batida história do filme fala daquela típica relação conflituosa entre mãe e filha adolescente. Enquanto a rainha Elinor se porta como uma verdadeira monarca, Merida prefere viver na floresta, no lombo de seu cavalo, a praticar tiro ao alvo nos troncos das árvores. A situação se complica mais ainda quando Elinor, junto do rei Fergus, decidem que sua filha deve se casar com o herdeiro de um dos três clãs mais importantes da Escócia. Merida, obviamente, não aceita bem a ideia e decide confrontar a sua mãe ao estragar o evento no qual seu marido seria escolhido.

Após uma série de longas e intensas discussões, Merida decide se vingar de sua mãe e entra em contato com uma bruxa que se disfarça de artesã. A senhorinha joga, então, um feitiço na rainha, como pedido pela menina de cabelos vermelhos. Porém, é aí que a história fica mais interessante, pois o feitiço trará consequências inimagináveis a Elinor que testarão o seu relacionamento com a filha.

Enquanto assistia ao filme, cheguei a conclusão de que este era o longa mais Dreamworks que a Pixar já havia produzido. Mas vale dizer, um ótimo filme da Dreamworks! Em "Valente", a ação é constante e as piadas pastelão são comuníssimas, principalmente quando os três irmãos mais novos de Merida estão em cena, entretanto, ainda há espaço para uma narrativa envolvente e bastante emocionante. O relacionamento entre Merida e Elinor é a maior qualidade do filme. Enfim, está mais para "Kung Fu Panda" do que "Bee Movie".

Como se já não fosse o bastante, "Valente" ainda tem um visual espetacular. As Highlands da Escócia já são naturalmente deslumbrantes, em animação então, nem se fala! Para completar, ainda tem animais ferozes e luzes mágicas para deixar o ambiente ainda mais selvagem, mas ao mesmo tempo, encantador. Além disso, tem também o cabelo ruivo de Merida. É simplesmente impressionante o trabalho exercido para fazer aquela verdadeira juba de cor rubra, tanto que foi criado um novo software só para possibilitar este feito.

Uma história antiga, mas ao mesmo tempo nova; uma heroína meiga, mas também revolucionária; qualidade técnica impecável; uma ótima trilha sonora composta pelo (olha só!) escocês Patrick Doyle; entre outros fazem de "Valente" uma experiência extremamente agradável aos olhos, aos ouvidos e à mente.

NOTA: 4/5


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)


Dir.: Christopher Nolan; Escrito por Jonathan Nolan e Christopher Nolan; Com Christian Bale, Michael Caine, Heath Ledger, Gary Oldman. 2008 - Warner (152 min. - 12 anos)


Uma das diferenças mais fáceis de se notar entre "Batman Begins" e "Batman - O Cavaleiro das Trevas" é a abundância de espaços abertos. Se em "Begins" era claro que certas partes da cidade de Gotham foram construídas em estúdio, como a área favelizada da cidade, conhecida como Narrows, em "O Cavaleiro das Trevas" é comum avistar largas avenidas, túneis extensos, vistas panorâmicas da cidade. É como se Gotham City estivesse mais exposta, vulnerável à ação de bandidos, o que em consequência, afeta a vida de seus habitantes. Eles também estão sujeitos a perigos maiores, a grandes dilemas e situações de extremo desespero. Não é por nada que este segundo filme da trilogia "Cavaleiro das Trevas" é um filme mais caótico (no bom sentido) que o seu antecessor.

Desta vez, a história é mais complexa, envolvendo mafiosos, empresários, funcionários públicos e o grande vilão do filme, o maníaco Coringa, interpretado de forma majestosa pelo finado Heath Ledger. O vilão mais famoso do homem-morcego é um homem atormentado, que procura no caos e na destruição uma forma de, quem sabe, aliviar a sua dor; ou talvez ele seja apenas um psicopata que se diverte com o sofrimento dos outros. Quem sabe? Nem a origem de suas cicatrizes sabemos ao certo, pois se num momento o culpado é seu pai, no outro é ele próprio. Daí, já podemos entender um pouco mais o porquê da história de "O Cavaleiro das Trevas" ser tão intrincada. Se o seu vilão é mais complexo do que Ra's Al Gul e o Espantalho (que por sinal tem uma pontinha no início do filme) juntos, por que a sua trama também não pode ser um pouco mais ambiciosa?

Como se isso já não fosse bastante, os outros personagens, principalmente Bruce Wayne também estão em momentos de extrema batalha psicológica. Bruce já não sabe mais se continua a ser o Batman e põe a vida daqueles que ama em perigo ou se desiste de tudo, mas deixa Gotham ruir diante do império dos criminosos. Enquanto isso, sua amada, Rachel Dawes, fica na dúvida entre uma vida estável com o mais bem-sucedido promotor da cidade, Harvey Dent, ou se se joga de cabeça numa paixão talvez mais intensa, mas certamente mais perigosa com Bruce Wayne.

Para aumentar o clima de tensão, os diálogos dramáticos falhos de "Begins" dão espaço a frases mais obscuras e indecisas entre a esperança ou a perda total de qualquer tipo de fé. Apesar dos espaços abertos, a cidade e seus cidadãos estão cada vez mais confinados num mundo de violência e sofrimento, onde, entre os poderosos, apenas os mais fortes sobrevivem; por outro lado, os civis estão no meio da linha de tiro, esperando apenas a sua vez de serem mortos ou de cederem às tentações da corrupção. A trilha sonora pesada de James Newton Howard e Hans Zimmer intensifica ainda mais essas sensações.

Apesar de em muitos aspectos apresentar uma melhora significativa quanto ao filme anterior da franquia, "Batman - O Cavaleiro das Trevas" não é a obra-prima que tanto se fala e também é mais cansativo, uma consequência de sua natureza mais difícil e densa. Mesmo assim, não deixa nada a desejar a qualquer filme de super-herói e é um segundo capítulo memorável, graças principalmente às cenas do Coringa de Ledger, da trilogia de um dos personagens mais famosos dos quadrinhos.

NOTA: 4/5


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Batman Begins (Batman Begins)


Dir.: Christopher Nolan; Escrito por Christopher Nolan e David S. Goyer; Com Christian Bale, Michael Caine, Liam Neeson, Katie Holmes. 2005 - Warner (140 min. - 10 anos)


Um dos aspectos mais interessantes da franquia do super-herói Batman é a diversidade de seus filmes. Cada um de seus três diretores conseguiu imprimir um estilo próprio aos capítulos que comandou, trazendo, portanto, à série vários pontos-de-vista do mesmo personagem.

O primeiro a adaptar as histórias em quadrinhos do homem-morcego para o cinema, Tim Burton, adotou o seu estilo de sempre: gótico e irônico. Tanto em "Batman" (1989) quanto em "Batman - O Retorno" (1992), a Gotham expressionista de Burton, escura e assustadora, era recheada de personagens bastante excêntricos, para dizer o mínimo. O Coringa de Jack Nicholson que invade um museu ao som de Prince e o grotesco e caricato Pinguim, vivido por Danny DeVito, são os melhores exemplos dessa mistura.

O diretor seguinte, Joel Schumacher, trouxe de volta o clima exagerado e psicodélico da série de tevê sessentista protagonizada por Adam West. Em "Batman Eternamente", o Charada invade a batcaverna da maneira mais abilolada possível e o "Duas Caras" comanda um show de circo. Isso sem contar o close na bunda do herói ao colocar seu icônico uniforme. No filme seguinte, "Batman e Robin", parece que Gotham é uma versão em maior escala da Toys r' Us. Isso já diz tudo, não?

O terceiro e mais recente diretor da franquia é o britânico Christopher Nolan. Se Burton fez filmes fiéis ao seu estilo de filmar e Schumacher transformou Gotham num show de luzes e pirotecnia, Nolan resolveu despir a cidade e seus personagens de qualquer brilho ou glamour. Ele criou um Batman sem photoshop, digamos assim. Daí surgiu "Batman Begins".

Este primeiro filme da trilogia "Cavaleiro das Trevas" já tem a seu favor o fato de ter sido o primeiro filme do herói a realmente contar a sua origem. Apesar de ter sido apresentada no filme de Tim Burton, lá ela era apenas coadjuvante, explorada de maneira superficial. No filme de Nolan não! Em "Begins" primeiro é estudado o homem por trás da máscara, o milionário Bruce Wayne, atormentado pela morte de seus pais e pela decadência de Gotham, cada vez mais corrompida. Só depois o Batman aparece e tem-se início o filme de super-herói que conhecemos. Para se ter uma noção, Bruce só aparece vestido a caráter com quase uma hora de filme.

A partir deste prólogo começamos a ter noção da situação deplorável em que Gotham City se encontra. O roteiro de Nolan e David S. Goyer não esconde a sujeira de uma cidade outrora próspera. O número de criminosos só aumenta, a miséria toma conta das ruas e dos viadutos, a moral é uma virtude esquecida. Tudo isso é mostrado de uma maneira nua e crua, sem nenhum tipo de embelezamento.

Para poder combater esta situação, Bruce viaja pelo mundo para viver lado a lado da criminalidade, entendê-la a fundo. Quando volta, depois de passar uma época na prisão e outra num treinamento intensivo, cortesia da Liga das Sombras, liderada por Ra's Al Ghul, Bruce esta determinado a fazer justiça com as próprias mãos sob a forma de uma ideia, um símbolo que represente o seu maior medo: os morcegos. Nasce o Batman, aquele pelo qual todos esperavam, a salvação de Gotham, mas por outro lado aquele do qual todos temem.

Sem querer estragar a diversão, paro por aqui, mas digo o seguinte: o maior triunfo de "Batman Begins" não é ser um ótimo filme de super-herói, afinal ele sofre de clichês presentes em vários filmes do gênero como um romance meio chocho e alguns diálogos dramáticos bastante piegas; mas sim ser um ótimo filme sobre a capacidade do homem em se corromper, sobre a falta de esperança e sobre a necessidade de agir. 

Quem quer viver em meio a mafiosos como o Falcone vivido por Tom Wilkinson ou pelo dr. Jonathan Crane, que usa a sua persona, Espantalho, para lotar as celas do sanatório Arkham e enriquecer em cima do julgamento de criminosos? Ninguém. Por que faltam mulheres como Rachel Dawes, a promotora vivida por Katie Holmes, e homens como Jim Gordon, o policial interpretado por Gary Oldman, pessoas que lutam contra a impunidade na nossa sociedade? Por que temos medo das consequências. O problema é que precisamos enfrentar o medo para conseguir nos livrar da maldade, assim como o Batman, Rachel e Jim. E essa é a mensagem no coração de "Batman Begins".

NOTA: 4/5


terça-feira, 24 de julho de 2012

A Era do Gelo 4 (Ice Age: Continental Drift)


Dir.: Steve Martino e Michael Thurmeier; Escrito por Michael Berg e Jason Fuchs; Com Denis Leary, John Leguizamo, Ray Romano, Queen Latifah. 2012 - Fox (88 min.)


A franquia "A Era do Gelo" é um daqueles sucessos à prova de tudo. A série nunca foi das mais elogiadas pelos críticos, muitos dizem que ela apenas repete a formula que deu certo no primeiro filme até à exaustão. Os protagonistas sempre se perdem e precisam encontrar o caminho para casa, o esquilo Scrat tenta sempre guardar a sua noz e nunca consegue, as piadas são, em sua maioria, pertencentes ao ramo da comédia pastelão e por aí vai. Entretanto, a cada novo filme lançado, a franquia arrecada mais e mais dinheiro. Consequentemente, os executivos da Fox ficam ainda mais ricos e novos filmes da marca são encomendados. Mas afinal, qual é o poder que "A Era do Gelo" joga sobre o público? Simples, apesar de não serem ambiciosos, os filmes da série são sempre divertidos.

E isto continua no quarto filme da série. Apesar de ser o menos inspirado da saga, "A Era do Gelo 4" consegue ainda assim ser um passatempo agradável à todas as idades, pois manteve em sua base os elementos que deram certo nos três filmes anteriores. Porém, é necessário lembrar que a série começa a mostrar sinais de cansaço.

Neste novo capítulo, numa tentativa frustrada de guardar uma noz, Scrat provoca a deriva continental, afetando a vida de diversos animais, entre eles o trio de protagonistas: o mamute Manny, o tigre dentes-de-sabre Diego e a preguiça Sid. Com a separação dos continentes, os três acabam se afastando de seus amigos e familiares e se veem na difícil missão de voltar para casa sãos e salvos.

Porém, as coisas complicam quando um grupo de piratas, liderado pelo Capitão Entranha, intercepta o caminho dos três amigos e os obriga a fazer parte de sua tripulação, o que acarreta em abandonar o plano de rever os seus familiares.

Enquanto isso, Ellie e Amora, esposa e filha de Manny, junto de seus amigos, tentam ir para um local mais seguro e se salvar da enorme catástrofe prestes a acontecer.

Um problema bastante irritante em "A Era do Gelo 4" é que enquanto a história principal, envolvendo Manny, Sid e Diego, é muito divertida, a trama secundária, que envolve os familiares do grupo é extremamente bobinha e convencional. Neste pedaço do filme, as atenções se voltam para as angústias vividas por Amora, a filha adolescente bem chatinha de Manny. Os clichês são vários: ela se desentende com o pai constantemente, está apaixonada pelo mamute mais bonito da região, tem um amigo apaixonado por ela, sua mãe diz que ela tem que ser quem ela é, etc. Enfim, aquela bobagem motivacional de sempre.

Entretanto, apesar da trama principal ser, no geral, envolvente, em alguns momentos ela também cansa. A principal causa disso é a ação ininterrupta. Se por um lado, a história de Amora é devagar quase parando, as aventuras de Sid, Manny e Diego são hiperativas, para dizer o mínimo. Quando uma luta acaba, uma tempestade já começa, e em seguida já se inicia uma nova luta. Enfim, quando chega no clímax do filme, o espectador já está exausto de tanta confusão.

Outra prova de que a série já está na hora de acabar é o esquilo Scrat. Apesar de ainda ser responsável pelas melhores cenas do filme, as suas peripécias já não são tão engraçadas quanto eram nos filmes anteriores.

No final das contas, "A Era do Gelo 4" mostra que a franquia já não tem mais o mesmo fôlego de outrora. Ainda assim, tem qualidades o suficiente (como a inclusão de uma nova personagem ótima, a avó maluca de Sid) para cumprir o seu papel de entretenimento descartável e inofensivo, mas bastante eficiente.

P.S.: Por estar em São Paulo, pude aproveitar a oportunidade e assistir ao filme na primeira sala 4D do país, localizada no Cinépolis do Shopping JK Iguatemi. O que posso dizer é que para quem já experimentou esta tecnologia antes em algum parque de diversões, a experiência pode ser um pouco frustrante já que não são apenas 10-15 minutos e sim 1 hora e meia de cadeira balançando, vento soprando e água espirrando. Porém, para quem (como eu) nunca havia ido numa sala 4D antes, a diversão é garantida.

Entretanto fica a dúvida: será que isso vai dar certo num multiplex convencional? Afinal, o ingresso é bem salgado e os filmes em exibição são longa-metragens e não curtas.

NOTA: 3/5


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Extermínio (28 Days Later)


Dir.: Danny Boyle; Escrito por Alex Garland; Com Cillian Murphy, Naomie Harris, Brendan Gleeson. 2002 - Fox (113 min. - 16 anos)


Danny Boyle fez um enorme sucesso no Reino Unido com seus dois primeiros filmes, "Cova Rasa" e "Trainspotting - Sem Limites". Seus dois filmes seguintes, "Por Uma Vida Menos Ordinária" e "A Praia", filmados nos EUA, não foram bem-sucedidos, principalmente com a crítica especializada. Portanto, Boyle fez o que todo diretor esperto faz quando não encontra sucesso no exterior: volta para a sua terra natal. E este retorno à Inglaterra deu origem a "Extermínio", um de seus filmes mais conhecidos.

A trama do longa é centrada em Jim, um entregador que acorda na cama de um hospital vazio e depredado. Ao sair nas ruas de Londres, percebe que estas estão vazias, inclusive os locais que costumam ser bastante movimentados como os arredores do Big Ben ou a Picadilly Circus. Durante estas andanças ele encontra Selena, uma mulher que lhe conta toda a verdade: em apenas 28 dias, a Inglaterra foi tomada por um vírus transmitido pelo sangue e pela saliva, o que acarretou a evacuação da cidade; e a partir daí, quem sobreviveu à epidemia tem que lutar pela própria vida, já que os infectados estão soltos pelas ruas.

Então, num ato de esperança, Jim e Selena, juntos de Frank e Hannah (pai e filha que lhes acolheram num momento de necessidade), partem em direção a Manchester, onde há um grupo do exército oferecendo a cura para esse mal. Só que, como já podemos esperar, isso é apenas o início de uma série de desventuras.

Após essa descrição, pode-se dizer que a história de "Extermínio" é simples. Porém, a grande jogada do roteirista Alex Garland é que, na verdade, o filme é uma crítica ao governo, principalmente às Forças Armadas. No longa, a epidemia é usada apenas para dar chance aos soldados britânicos mostrarem o seu pior lado, as suas atitudes mais baixas. Podemos até considerar a possibilidade de que os infectados são pessoas melhores do que os integrantes do exército apresentados no filme. Infelizmente, não posso contar muito mais sem estragar a história, então é melhor pararmos por aqui e falarmos sobre o filme sob uma perspectiva técnica.

Assim como todos os outros filmes de Boyle, o filme é visualmente marcante. No caso de "Extermínio", o sangue "vomitado" pelos infectados e seus vibrantes olhos vermelhos são as grandes marcas estéticas do filme. 

O elenco também esta ótimo. Cillian Murphy está muito bem como o protagonista Jim, assim como Naomie Harris como Selena. Por sinal, diria que ela é quem tem a performance mais forte do filme, já que sua personagem é também a mais atormentada. Enquanto isso, Brendan Gleeson e Megan Burns, como Frank e Hannah, apesar de serem personagens secundários também brilham. Isso sem contar com o major duas-caras vivido por Christopher Eccleston, de suma importância no último ato do longa.

Enfim, é uma pena não poder falar muito mais sobre "Extermínio" sem estragar o seu final, no mínimo, perturbador. Entretanto, posso dizer que é um filme de terror que apesar de não ser perfeito, merece ser conferido.

NOTA: 3.5/5


O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man)


Dir.: Marc Webb; Escrito por James Vanderbilt, Alvin Sargent e Steve Kloves; Com Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans. 2012 - Sony (136 min. - 10 anos)


Algum tempo após o lançamento de "Homem-Aranha 3" especulou-se sobre a produção de um quarto capítulo na saga do famoso herói aracnídeo. As dúvidas eram muitas: o diretor Sam Raimi voltaria para mais um filme?; o elenco original estaria disposto a viver mais uma vez os mesmos personagens?

No final das contas, o projeto de "Homem-Aranha 4" foi cancelado. Entretanto, a Sony Pictures precisava produzir um filme do super-herói caso não quisesse perder os direitos de sua franquia mais lucrativa para a Marvel; ainda mais num momento em que a famosa editora resolveu investir em incursões cinematográficas de seus personagens. A solução mais óbvia foi fazer um "reboot", ou seja, relançar a série com diretor, atores e alguns personagens novos. Daí nasceu "O Espetacular Homem-Aranha".

Sem dúvida, o estúdio tomou riscos imensos. O primeiro deles foi recomeçar a franquia apenas cinco anos depois do lançamento do terceiro filme da trilogia original, que por sua vez, teve início em 2002, exatamente dez anos antes. Fica, então, a pergunta: o publico vai sentir alguma necessidade em ver a mesma história ser contada novamente num espaço de tempo tão pequeno?

Outra jogada arriscada foi a contratação do diretor Marc Webb para comandar o novo filme. Apesar de ser um veterano do mundo dos videoclipes, Webb só havia dirigido um único filme, a comédia romântica "500 Dias com Ela". Esse filme, apesar de ter sido bastante elogiado, tinha custado apenas US$7,5 milhões e tinha um roteiro formado, basicamente, por diálogos. Outra grande dúvida: será que ele seria a pessoa certa para dirigir um filme deste porte, com orçamento de US$230 milhões, e recheado de cenas de ação? Afinal, é sempre bom lembrar o caso de "Hulk", dirigido por Ang Lee. O diretor era bastante reconhecido, mas a sua adaptação não foi bem recebida nem pelos críticos nem pelo público.

Finalmente, depois de tanta polêmica e incógnitas em torno do projeto, "O Espetacular Homem-Aranha" estreou com um ligeiro saldo positivo. Em sua semana de estreia, o filme arrecadou mais de US$300 milhões em todo o mundo - um número notável -, entretanto, o filme é um pouco decepcionante no que diz respeito à qualidade.

O longa tem sim muitos pontos positivos. O principal deles são os protagonistas vividos por Andrew Garfield e Emma Stone. Garfield, apesar de não se encaixar tão bem no papel quanto Tobey Maguire, que nasceu para interpretar o herói, consegue se sair muito bem na sua missão de criar empatia entre Peter Parker e o público. Seja em suas cenas com Emma ou com a veterana Sally Field, intérprete da tia May, Garfield é extremamente simpático e faz de Parker aquele amigo que todos gostariam de ter. Enquanto isso, Stone, que se firma cada vez mais como uma grande estrela em Hollywood, tem ótimos momentos com Garfield e traz uma personalidade para a personagem de Gwen Stacy (apresentada na trilogia original apenas em "Homem-Aranha 3", onde foi interpretada por Bryce Dallas Howard, que por sinal, trabalhou com Stone em "Histórias Cruzadas").

Além disso, as cenas de ação em "O Espetacular Homem-Aranha" são muito boas, principalmente a luta entre o Homem-Aranha e o Lagarto dentro de uma escola. Já que os dois personagens conseguem escalar paredes e andar no teto, os produtores conseguiram criar sequências, no mínimo, atípicas. Claro que os efeitos especiais ajudam e muito nesse quesito e, felizmente, os de "O Espetacular Homem-Aranha" são muito bons.

Por fim, o vilão deste novo capítulo na franquia do aracnídeo é bastante interessante. O Dr. Curtis Connors/Lagarto é um daqueles vilões que não são essencialmente maus, mas sim obcecados por suas criações. Tanto que em alguns momentos ele lembra o Dr. Octopus de "Homem-Aranha 2", que assim como o Lagarto, é um gênio que começa a enlouquecer.

Porém, como já falamos antes, o filme é uma decepção. Primeiro de tudo, a tal história que explicaria o porquê do sumiço dos pais de Peter Parker, chamada de a "história não revelada" pelos publicitários do filme, serve simplesmente de trampolim para apresentar o grande vilão do filme, o Lagarto. Depois que este aparece pela primeira vez, a trama dos pais de Peter é praticamente esquecida, portanto, pelo que dá para entender essa história deve ser melhor desenvolvida nos próximos filmes da série. Mas, ainda assim, não deixa de ser uma propaganda enganosa.

Outro problema é que a história do filme propriamente dita, o embate entre o Homem-Aranha e o Lagarto, demora para começar, já que a origem do herói é explicada mais uma vez. Dessa forma, tem-se novamente as cenas de Peter Parker descobrindo os seus poderes, de Peter Parker pulando de prédios, do tio Ben sendo assassinado e por aí vai. Esta parte do filme rende ate alguns bons momentos como a cena do metrô, em que Peter enfia a pancada  num grupo de beberrões, mas não deixa de parecer um déja vu de vez em quando.

O filme também sofre da carência de cenas realmente empolgantes ou até memoráveis. Se no primeiro filme do Homem-Aranha tinha cenas que até hoje são lembradas como aquele beijo de cabeça para baixo entre o aracnídeo e Mary Jane ou o primeiro confronto entre o Homem-Aranha e o Duende Verde em meio à uma parada de balões e bonecos infláveis gigantes, neste novo longa não há nenhum momento que eu vejo sendo recordado daqui a alguns anos. O final também tem alguns trechos que não me agradaram como aquele em que todos os guindastes se alinham para ajudar o Aranha chegar até a Torre Oscorp, onde o Lagarto está pondo em prática o seu plano maligno. Piegas seria a palavra ideal.

Para quem nunca teve contato com a trilogia dirigida por Sam Raimi, "O Espetacular Homem-Aranha" deve ser um filmaço. Mas para quem, como eu, já conhece a origem do herói e já viu os filmes anteriores, principalmente os dois primeiros, esse novo filme está longe de ser espetacular. Digamos que bom está mais do que apropriado. 

NOTA: 3/5