sábado, 1 de setembro de 2012

Burlesque (Burlesque)


Dir.: Steve Antin; Escrito por Steve Antin; Com Christina Aguilera, Cher, Stanley Tucci, Alan Cumming, Kristen Bell. 2010 - Sony (119 min.)


A história você já viu várias vezes. Uma mulher do interior dos EUA cansada da vida monótona da cidade pequena se manda para uma grande metrópole, no caso Los Angeles, a fim de se tornar uma estrela e realizar seus sonhos. O fim você também já viu. Tudo dá certo e ela ainda arranja um namorado. Só que entre estes dois extremos - o início e o fim - tem-se o filme em si, e "Burlesque" é um filme bem mediano.

O longa começa bem, cheio de música, dança e seguindo à risca o que se esperava dele: um filme cheio de clichês com diálogos simplórios mas, que por alguma razão, diverte e torna-se, portanto, um prazer culposo. E assim vai "Burlesque" até mais ou menos a metade do filme.

O problema é que ao entrar em sua segunda parte, o longa passa a se levar muito a sério e acaba perdendo o foco. O que antes era uma comédia musical vira um dramalhão de novela envolvendo duas histórias principais: numa delas, Tess, dona do Burlesque Lounge, clube onde o filme se desenrola, tenta fazer de tudo para que o seu estabelecimento não seja fechado por causa das dívidas acumuladas; na outra, Ali, a menina do interior, se envolve com o barman do Burlesque Lounge com quem ela divide apartamento, só que a ex-noiva dele aparece e ele e Ali brigam. Nem precisa dizer como tudo vai acabar.

Além disso, neste trecho do filme as canções apresentadas não se encaixam no tema burlesco do filme, parecendo mais baladas descartadas de álbuns tanto de Christina Aguilera, que vive Ali, quanto de Cher, que vive Tess.

Felizmente, em seus últimos 10-15 minutos o filme volta a ser o que era e termina com uma performance de uma das melhores músicas do filme: Show Me How You Burlesque.

Mudando de assunto, o elenco faz o seu melhor com o roteiro. Christina Aguilera, estreando no cinema, mostra que não é uma grande atriz, mas se sai bem melhor do que outras cantoras/atrizes. Pode-se dizer que foi uma das melhores surpresas do filme. Enquanto isso, Cher tem um desempenho normal (não é uma grande performance dela, mas também não é uma bomba merecedora da indicação que ela recebeu ao Framboesa de Ouro). Mas quem rouba mesmo a cena é Stanley Tucci, um ótimo ator que, infelizmente, sempre é posto como coadjuvante. Pelo menos, Tucci (vivendo o melhor amigo gay de Tess) é quem tem as melhores falas do filme, muitas delas satirizando algum aspecto do showbiz.

Enfim, "Burlesque" poderia ter sido um ótimo filme ruim, porém ele apenas consegue ser razoável. 


NOTA: 2.5/5


Esposa de Mentirinha (Just Go With It)


Dir.: Dennis Dugan; Escrito por Allan Loeb e Timothy Dowling; Com Adam Sandler, Jennifer Aniston, Nicole Kidman. 2011 - Sony (117 min.)


"Esposa de Mentirinha" é um filme típico do Adam Sandler: uma mistura de romance, grosseria, mulheres bonitas e personagens estereotipados. E o maior problema de "Esposa de Mentirinha" é exatamente alguns desses fatores.

Primeiro de tudo, a premissa desse filme já é absurda: um homem finge ter um casamento horrível para poder se lamentar para as mulheres (essas, obviamente, ficam com pena) e assim conseguir o que quer: sexo. Mas até aí tudo bem, afinal o que não falta são comédias românticas com premissas excêntricas.

Continuando, tem aquele problema clássico dos filmes do Adam Sandler: ele sempre tem que ser um garanhão! Todos nós sabemos que Adam Sandler como um verdadeiro imã de mulheres não convence. Mas esse aspecto também é perdoável, afinal o número de comédias nas quais Adam Sandler é a definição de macho alfa é bem grande.

Mas então qual é o problema de "Esposa de Mentirinha"? O maior problema é essa mistura de comédia romântica com piadas grosseiras. Pior ainda, esse problema, nesse caso, refere-se apenas à "Esposa de Mentirinha". Outras comédias românticas como "Ligeiramente Grávidos" e "Quem Vai Ficar Com Mary?" conseguiram relacionar bem o romance com as piadas de mau gosto, só que neste filme elas são tão juvenis que, simplesmente, não conseguem se encaixar com a parte romântica do filme. Afinal, quem quer ver uma comédia romântica não está a fim de ver um homem segurar um coco com as nádegas! Essa piada do coco talvez até funcionaria num outro filme de Sandler como "Eu os Declaro Marido e Larry" ou "Zohan - O Agente Bom de Corte", mas neste filme fica apenas apelativo.

Outro problema é a necessidade de se pôr num filme do Adam Sandler coadjuvantes que parecem mais verdadeiras caricaturas. Novamente, se isso acontecesse num outro filme de Sandler até funcionaria, mas neste caso, fica a impressão de que aquele personagem foi posto apenas para atrair um público mais novo para um filme que, em outra situação, seria voltado para o público adulto.

Resumindo, a necessidade de infantilizar um filme que outrora seria para adultos apenas para conseguir uma bilheteria maior é o grande problema desse filme.

Felizmente, o longa tem as suas qualidades. Adam Sandler e Jennifer Aniston têm muita química juntos além de um ótimo timing cômico e, definitivamente, mereciam um filme melhor. Além disso, Nicole Kidman numa pontinha como a inimiga de faculdade de Aniston mostra que também possui talento cômico e pode ser melhor aproveitada nesse gênero do que já foi até agora. Para falar a verdade, o único no elenco que está mal é Nick Swardson, comediante amigo de Sandler que está insuportável na pele do primo do protagonista.

O consenso a que se chega é o seguinte: se fosse um filme com os mesmos protagonistas (tirando Swardson), mas que não fosse uma comédia típica da Happy Madison (produtora de Sandler), "Esposa de Mentirinha" poderia ter sido bem superior ao que é. 


NOTA: 2.5/5


Ganhar ou Ganhar - A Vida é um Jogo (Win Win)


Dir.: Thomas McCarthy; Escrito por Thomas McCarthy; Com Paul Giamati, Amy Ryan, Alex Shaffer. 2011 - Fox (106 min.)


Um dos fatores que levaram ao crescimento do cinema independente norte-americano, além do experimentalismo e da possiblidade de abordar assuntos "inadequados" ou "fortes demais" para o cinema mainstream, é a quantidade abundante de histórias realistas, mas ao mesmo tempo interessantes, contadas por esse nicho cinematográfico, e "Ganhar ou Ganhar - A Vida é um Jogo" é um exemplo disso.

O longa do diretor e roteirista Thomas McCarthy conta uma história simples e que poderia fazer parte da vida de qualquer ser humano desse planeta: um advogado, que por hobby também leciona luta greco-romana para jovens, ganha o direito de ser guardião de um idoso diagnosticado com demência. Porém, o que de início parecia ser apenas uma oportunidade para ganhar dinheiro extra sem ter que trabalhar torna-se algo muito maior quando o neto de seu cliente aparece e mostra ser um grande lutador.

Isso até a mãe ausente e drogada do menino, filha do idoso doente, aparece para ganhar o direito de ser guardiã de seu pai e trazer seu filho de volta para casa, podendo ameaçar o seu mais novo "salário" e sua grande chance de sua equipe ganhar alguns campeonatos de luta greco-romana.

E é exatamente essa história "real" que aproxima o espectador dos personagens, fazendo de "Ganhar ou Ganhar" uma deliciosa comédia dramática, sendo merecedora das indicações que recebeu por seu roteiro no Critic's Choice Awards, no Independent Spirit Award e no Writer's Guild of America Award (prêmio do sindicato de roteiristas).

Como se já não fosse o suficiente, o sempre competente Paul Giamatti traz mais uma ótima performance como Mike, o protagonista da história, e faz do seu relacionamento com Kyle, o neto de seu cliente, vivido por Alex Shaffer, algo mais.

Em resumo, "Ganhar ou Ganhar", mesmo tendo sido lançado diretamente em DVD aqui no Brasil, merece ser conhecido. 


NOTA: 3.5/5


Toda Forma de Amor (Beginners)


Dir.: Mike Mills; Escrito por Mike Mills; Com Ewan McGregor, Christopher Plummer, Mélanie Laurent. 2010 - Universal (105 min. - 12 anos)


E mais uma vez os tradutores erraram a mão na hora de escolher o título brasileiro para um filme. Neste caso, "Beginners" (Iniciantes, em português) virou "Toda Forma de Amor", e sem dúvida, o título perdeu impacto.

O filme basicamente fala sobre começar de novo: um idoso, aos 75 anos de idade, resolve se assumir gay após perder a esposa, e seu filho, três anos depois, quando ele morre, engata um relacionamento com uma atriz francesa, procurando se recuperar da perda de seu pai para o câncer. Enfim, o título ao pé-da-letra teria sido bem melhor e representaria com mais clareza a intenção do longa.

Terminada, então, a questão do título, vamos ao filme em si. "Toda Forma de Amor" é daqueles filmes que poderia ter sido bem melhor do que é realmente, isso se ele não fosse tão monótono.

O que não falta são elogios para falar sobre as atuações do trio de protagonistas (Ewan McGregor, Christopher Plummer e Mélanie Laurent), todos eles estão muito bem, com Plummer levando um Oscar de ator coadjuvante para casa (mesmo que a sua performance seja ótima, não acho que seja tudo isso o que dizem. Considero McGregor o grande injustiçado do grupo, levando crédito algum por sua grande atuação).

Além disso, o longa do diretor/roteirista Mike Mills, possui algumas ideias bem interessantes como o uso de legendas para representar as "falas" do cãozinho Arthur com o seu dono Oliver (McGregor), e o conjunto de músicas de jazz que embalam muitas partes do filme.

Porém, esse conjunto de qualidades acaba sendo prejudicado pelo ritmo arrastado do filme, fazendo com que pareça que é mais longo do que deveria.

Em resumo, "Toda Forma de Amor" tem muitos bons momentos (principalmente, quando Arthur, o cãozinho Jack Russel, "fala" ou quando a dupla McGregor/Plummer está em cena), mas o seu ritmo em passo de tartaruga acaba levando o resultado final para baixo. 


NOTA: 3/5


Melancolia (Melancholia)


Dir.: Lars Von Trier; Escrito por Lars Von Trier; Com Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland. 2011 - Califórnia (136 min. - 14 anos)


À primeira vista, a história de "Melancolia" é bem bobinha: um planeta chamado Melancolia está cada vez mais se aproximando da Terra, fazendo com que o fim do nosso planeta seja iminente. Porém, o diretor e roteirista Lars Von Trier faz desta sinopse bobinha um filme trágico, mas ao mesmo tempo, muito bonito.

O longa começa com uma belíssima sequência de imagens quase estáticas, como se fossem quadros em movimento, dos acontecimentos que antecedem o fim do mundo. Dessa forma, Von Trier determina o tom de todo o filme: lindo e triste; utópico e real.

Reforçando estes paradoxos estão a fotografia e as atuações. A fotografia do chileno (naturalizado dinamarquês) Manuel Alberto Claro é muito bonita e intensifica o tom fantástico do filme, visualmente falando.

Já as atuações procuram mostrar que mesmo tendo tons irreais, a história no centro de "Melancolia" trata, na verdade, das pessoas, da realidade. Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg estão ótimas como as duas irmãs Justine e Claire, respectivamente.

Por sinal, as duas irmãs por si só já são um paradoxo: enquanto Claire está extremamente preocupada com a chegada de Melancolia à Terra, uma vez que tem marido e filho, Justine, que já perdeu toda e qualquer esperança que tinha no planeta Terra, não se preocupa nem um pouco se o mundo vai acabar ou não (Justine até diz para sua irmã: "se você acha que eu tenho medo de um planeta, você é muito idiota").

Além de Dunst e Gainsbourg, o filme conta com a presença de Kiefer "Jack Bauer" Sutherland como o marido de Claire, um ricaço apaixonado por astronomia, Alexander Skarsgard como o marido de Justine, Charlotte Rampling e John Hurt como os pais das duas irmãs e Stellan Skarsgard como o chefe desprezível de Justine: todos muito bem em seus respectivos papeis, mas o filme é mesmo das duas protagonistas.

Falando do roteiro, enquanto o visual do filme representa a fantasia, e os personagens a realidade, é a escrita de Von Trier que une esses dois extremos numa história convincente e envolvente, e que apesar de ser (desculpe o trocadilho) melancólica, possui também alguns momentos de humor, principalmente durante a festa de casamento de Justine.

Ganhador do prêmio de melhor atriz em Cannes para Kirsten Dunst, "Melancolia" infelizmente perdeu o prêmio de melhor filme do festival para o superestimado "A Árvore da Vida" de Terrence Malick e vêm sendo esnobado pela enorme maioria das premiações (exceto pelo European Film Awards, no qual ganhou três prêmios: melhor filme, melhor fotografia e melhor design). Portanto, se Lars Von Trier não tivesse feito piadinha anti-semita sem graça em Cannes, seu filme poderia ter sido mais reconhecido. 



NOTA: 3.5/5


For Colored Girls (For Colored Girls)


Dir.: Tyler Perry; Escrito por Tyler Perry; Com Janet Jackson, Loretta Divine, Tandie Newton, Kimberly Elise. 2010 - Lionsgate (133 min.)


Qualquer um que saiba pelo menos um pouco sobre o mercado cinematográfico norte-americano conhece este nome: Tyler Perry. Para quem não o conhece, Perry é atualmente o diretor afro-americano mais conhecido e bem-sucedido com o público, principalmente o negro, nos EUA (mesmo que os críticos não gostem tanto de seus filmes). Além disso, Perry tem uma marca impressionante: em apenas seis anos, ele já dirigiu, escreveu e produziu onze longas. Curioso, afinal já tinha ouvido falar de Perry várias vezes, mas nunca havia visto um filme seu, resolvi assistir a um de seus projetos: no caso, "For Colored Girls".

O nono filme da carreira de Perry, "For Colored Girls" é baseado numa peça de 1975 chamada "For Colored Girls Who Have Considered Suicide When the Rainbow Is Enuf" e conta os dilemas de um grupo de mulheres negras da cidade de Nova York.

A maior qualidade do filme, sem dúvidas, é o seu elenco feminino. Com atrizes negras veteranas (Janet Jackson, Loretta Devine, Whoopi Goldberg) e ascendentes (Thandie Newton, Kerry Washington, Anika Noni Rose), são elas que fazem do filme algo especial e comovente. Isso sem falar nas performances, que são muito boas. Além disso, o roteiro de Perry também é bastante interessante, mesmo que às vezes escambe para o melodrama.

Um dos artifícios mais engenhosos do filme (talvez querendo aproximá-lo da peça) começa a ser usado apenas na segunda metade do longa: muitas personagens interpretam belos e poéticos monólogos de repente, durante um diálogo com outra personagem. Apesar disto causar um certo estranhamento de início, com o passar do tempo vê-se que esses monólogos são usados para ajudar na construção das personagens e de seus dramas.

Enfim, apesar de ser meio melodramático e um pouco longo demais (o relógio crava em 133 minutos), "For Colored Girls" é um filme bastante interessante, por causa de suas personagens como também por sua história triste, mas que traz uma bela mensagem de esperança. Então, se conseguir encontrá-lo (acho que só baixando ou, como eu fiz, assistindo no Netflix), tente assistí-lo. No mínimo vai ser uma experiência diferente. 


NOTA: 3.5/5


Embriagado de Amor (Punch-Drunk Love)


Dir.: Paul Thomas Anderson; Escrito por Paul Thomas Anderson; Com Adam Sandler, Emily Watson, Philip Seymour Hoffman. 2002 - Sony (95 min. - 14 anos)


A primeira cena de "Embriagado de Amor" é extremamente estranha: Barry Egan está num galpão, falando ao telefone com um atendente de telemarketing, quando sai na rua e presencia um acidente de carro. Então, logo após o acidente, aparece um furgão e deixa na sua frente um harmônio, um tipo de órgão pequeno. Ele olha aquilo tudo e volta para dentro do galpão onde estava.

Qual é o sentido dessa cena? E de algumas cenas seguintes como a ligação extremamente acanhada de Barry para o disque-sexo ou as sequência dele comprando dezenas de caixa de pudim no mercado só para ganhar milhas aéreas (sendo que ele não pretende viajar)? "Embriagado de Amor é isso: um filme sem sentido. Mas que mesmo assim, conseguiu me envolver.

Para falar a verdade, o filme não faz sentido, pois a vida de Barry também não faz o menor sentido. Isso até ele se apaixonar por Lena, uma amiga de uma de suas sete irmãs. É ela que vai começar a fazer com que Barry veja a vida com outros olhos, trazendo não necessariamente uma explicação, mas alguma força dentro de si que lhe diga o porquê de todas aquelas esquisitices.

Dirigido por Paul Thomas Anderson (diretor do espetacular "Sangue Negro"), "Embriagado de Amor" é uma comédia romântica diferente de qualquer outra. A fotografia, belíssima por sinal, traz um tom meio fantástico para todo o filme, com muitos reflexos de luz e cores fortes e contrastantes. Isso sem falar, na trilha sonora de Jon Brion que é bastante peculiar, assim como o longa no geral.

As atuações também são muito boas, principalmente do casal principal formado por Adam Sandler e Emily Watson. Entretanto, Sandler merece ainda mais elogios porque é um alívio vê-lo fora de bombas como "Cada um Tem a Gêmea que Merece", além de ter uma ótima performance como o atormentado Barry.

Por esta produção, Anderson levou um merecido prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes em 2002. Além disso, o filme foi indicado à Palma de Ouro do festival, assim como Sandler recebeu uma indicação a melhor ator em filme comédia/musical nos Globos de Ouro.

Enfim, "Embriagado de Amor" é aquele típico filme ame-ou-odeie. Mas pode ser que você não entenda nada, mas ame-o do mesmo jeito. 


NOTA: 3.5/5