sábado, 26 de janeiro de 2013

Quatro Amigas e um Casamento (Bachelorette)


Dir.: Leslye Headland; Escrito por Leslye Headland; Com Kirsten Dunst, Lizzy Caplan, Isla Fisher, Rebel Wilson. 2012 - Imagem (87 min.)


Os créditos iniciais de "Quatro Amigas e um Casamento" são embalados por "Infinity Guitars" da dupla Sleigh Bells. A música é daquelas que você tem a impressão de que o intérprete está cantando-a com o dedo em riste na sua cara. Enquanto isso, as guitarras gritam, a bateria marca o passo e a letra tem passagens como "dumb whores, best friends" (vadias estúpidas, melhores amigas). Já neste início você já tem a noção de que "Quatro Amigas e um Casamento" está longe de ser um filme sutil. Exatamente por isso, é um daqueles filmes ame-ou-odeie, e eu o adorei.

O filme inicia quando três amigas, Regan, Gena e Katie, se reencontram para o casamento da quarta integrante de seu grupo, a gordinha Becky. Podemos dizer que as três protagonistas são a definição perfeita das vadias melhores amigas do canção dos Sleigh Bells. Elas não possuem papas na língua, vivem enchendo a cara e cheirando cocaína e morrem de inveja de Becky por ela ser a primeira a se casar, mesmo que ela seja a mais feiinha do grupo.

A confusão toma conta quando na véspera do casamento, a noiva e suas três amigas se desentendem. Regan, Gena e Katie, então, depois de tomarem algumas taças de champanhe e meterem nariz adentro algumas carreirinhas de coca, resolvem se enfiar no vestido de noiva tamanho GG de Becky. Obviamente, a brincadeira dá errado e o vestido termina rasgado e manchado. Daí começa uma verdadeira jornada para consertar a burrada a tempo da cerimônia.

O roteiro de "Quatro Amigas e um Casamento" já é por si só bastante engraçado, incluindo cenas inacreditáveis como a da stripper limpando a vagina com o vestido de Becky (isso depois de ele já estar todo detonado) ou a conversa de Gena sobre o sexo oral com o seu vizinho de cadeira no avião. Mas todo roteiro é beneficiado por um bom elenco, e no caso do longa da diretora Leslye Headland (que também escreveu a peça no qual o filme é baseado) este é de primeira.

As três protagonistas: Kirsten Dunst, Lizzy Caplan e Isla Fisher parecem estar se divertindo ao máximo, além de terem uma ótima química. Por sinal, fiquei impressionado com Dunst que fez este filme pouco depois de atuar em "Melancolia" de Lars Von Trier. Isso é o que eu chamo de versatilidade! Rebel Wilson, que interpreta a gordinha Becky, também é ótima e mostrou que 2012 foi o ano de sua revelação. Mas o elenco masculino também é muito bom, trazendo nomes como James Marsden, que faz um garanhão louco para transar com Regan, e Adam Scott, vivendo o antigo namorado de Gena.

O final do filme pode decepcionar alguns por ser talvez sentimental demais, porém não é nada que prejudique as loucuras que acontecem antes. É, eu realmente gostei das vadias melhores amigas.

NOTA: 4/5


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A Origem dos Guardiões (Rise of the Guardians)


Dir.: Peter Ramsey; Escrito por David Lindsay-Abaire; Com Chris Pine, Alec Baldwin, Jude Law, Isla Fisher, Hugh Jackman. 2012 - Paramount (97 min.)


A premissa de "A Origem dos Guardiões" é bastante interessante. Imagina se Papai Noel, a Fada do Dente, Jack Frost, o Coelhinho da Páscoa e o Sandman se juntassem para lutar contra o Bicho Papão. Já parece ser uma boa história, não? Adicione a isso a marca Dreamworks Animation e você já espera uma boa diversão, certo? Se você achou isso, bem pode esquecer de tudo, pois "A Origem dos Guardiões" é uma bela de uma decepção.

É inegável que a produção do filme é muito caprichada. A animação é de primeira, como já é de se esperar do estúdio, e há ótimas sacadas quanto ao visual dos cenários e dos personagens. Exemplo disso são os lares do Papai Noel, do Coelhinho da Páscoa e da Fada dos Dentes e seus respectivos traços físicos como as tatuagens, a estatura e a aparência de beija-flor. Isso sem contar os belíssimos sonhos feitos de areia do Sandman e as piruetas de Jack Frost enquanto voa.

Porém, se visualmente o filme é de bater palmas, o mesmo não pode ser dito de sua narrativa. Na verdade, "A Origem dos Guardiões" é mais um daqueles filmes em que a premissa é muito mais interessante do que a história em si. O que parece ainda pior quando se sabe que o roteirista do filme é David Lindsay-Abaire, autor teatral ganhador do Prêmio Pulitzer e com alguns roteiros cinematográficos em seu currículo.

O problema de "A Origem dos Guardiões" já é típico da Dreamworks Animation. Conhecido por seus filmes irônicos e satíricos, o estúdio de vez em quando decide fazer um longa mais fofinho e menos ácido. Não vejo nenhum problema nisso, afinal quanto maior a diversidade melhor. A questão é que, geralmente, a Dreamworks erra a mão e ao invés de fazer um filme que mescla bem o drama com a comédia (algo que a sua rival Pixar faz com maestria), ela faz um filme bobinho, meloso e moralista.

Em "A Origem dos Guardiões" isso fica claro com aquela insistência em fazer com que toda criança seja um amor de pessoa, cheia de amor pra dar. As crianças são iguais a qualquer ser humano, elas têm um lado bom e um lado ruim, então por que os filmes tendem a mostrá-las como seres lindos e maravilhosos ou como verdadeiros diabos na Terra? Não há meio-termo? 

Além disso, o final do filme é sacarina pura, cheio de sorrisos e lições de moral. Não tem como o filme terminar bem, mas sem uma sessão de didatismo? São por essas e outras que "A Origem dos Guardiões" me lembrou em vários momentos "Bee Movie", outro filme da Dreamworks que sofria com o mesmo problema. Tinha uma premissa interessante, mas que era prejudicada por uma história sem sal. E olha que este último ainda tinha as referências à cultura pop típicas do estúdio!

Se por um lado, "A Origem dos Guardiões" é um colírio para os olhos e possui uma ótima trilha sonora de Alexandre Desplat, por outro o 3D não serve para nada e a história é muito sem-graça. Mais uma oportunidade perdida...

NOTA: 2.5/5


Os Penetras


Dir.: Andrucha Waddington; Escrito por Nina Crintzs, Rafael Dragaud, Marcelo Vindicato e Andrucha Waddington; Com Marcelo Adnet, Eduardo Sterblitch, Mariana Ximenes. 2012 - Warner (


Eu, assim como muita gente, estranhei quando saiu a notícia de que o diretor Andrucha Waddington dirigiria uma comédia mais próxima da chanchada, afinal ele é mais conhecido por seus dramas como "Casa de Areia" e "Eu, Tu, Eles". Achei ainda mais esquisito quando soube que o filme ia ser protagonizado por dois comediantes de fama televisiva: Marcelo Adnet, o homem que fez com que a MTV começasse a investir pesado em programas humorísticos, e Eduardo Sterblitch, integrante do "Pânico na TV", uma atração conhecida pela sua falta de bom-gosto. Mas não é que apesar dos pesares "Os Penetras", o fruto dessa mistura inusitada, é um filme bastante divertido?

O longa conta a história do encontro entre dois indivíduos bastante diferentes, Marco Polo e Beto. Se por um lado Marco é um típico malandro carioca, daqueles cheios de contatos e com um dom para enganar turistas, por outro Beto é um ingênuo homem do interior que chega ao Rio de Janeiro à procura da mulher que o deixou, Laura.

Ao notar que Beto guarda um bela quantia de dinheiro na sua carteira, Marco Polo resolve "ajudar" o pobre coitado a encontrar Laura. Ao adentrar as portas do Hotel Fasano, Marco descobre quem é a tal moça e que ela está acompanhada de um velho bastante rico, já que ela é uma prostituta de luxo.

Mesmo assim, ele resolve continuar a ajudar Beto a se reconciliar com o seu grande amor. Tudo para poder lhe arrancar mais dinheiro. Dessa forma, eles penetram algumas festas às vésperas do Ano Novo a fim de juntar Beto e Laura novamente. Só que claro, isso não vai acontecer tão fácil assim.

Primeiro de tudo, o que já causa uma boa impressão em "Os Penetras" é a ótima utilização de seu elenco. Marcelo Adnet, apesar de ser feio para ser o garanhão da história, diverte como o malandro Marco Polo, principalmente quando está junto de seu parceiro de golpes, Nelson, interpretado por Stepan Nercessian. Eduardo Sterblitch surpreende e faz de Beto muito mais do que o homem ingênuo do interior. Ele possui cenas engraçadíssimas como uma em que ele dança com uma bailarina russa no meio de uma festa elegantíssima. Já a representante feminina do elenco, Mariana Ximenes, está ótima como Laura, a prostituta da qual Marco e Beto estão atrás.

Além disso, o filme conta com participações especiais de vários rostos conhecidos como Luiz  Gustavo, Miele, Suzana Vieira e Andréa Beltrão.

Um outro motivo pelo qual vale a pena ver "Os Penetras" é o cuidado com o qual Andrucha Waddington filma o longa. Talvez por ter ganhado fama no cinema, Waddington evita com que "Os Penetras" fique parecendo um programa de televisão, uma maldição que vem assolando vários sucessos do cinema nacional. Aqui a fotografia é muito bem realizada e há até alguns posicionamentos de câmera bastante inusitados, mas que funcionam perfeitamente.

Enfim, "Os Penetras" não é nenhum filme digno de prêmio ou com maiores pretensões do que ser mero entretenimento. Mesmo assim, o longa de Andrucha Waddington diverte (e muito) com as desventuras de Marco Polo e Beto.

NOTA: 3.5/5


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Listas de Final de Ano!!!



Quando 2012 começou, todo mundo dizia que o mundo ia acabar. Teve gente guardando comida, construindo arcas, realizando todos os seus desejos etc. Entretanto, no final das contas, o mundo não acabou, continuamos todos aqui sãos e salvos. E como o mundo ainda está de pé e o ano está terminando, está na hora de fazer as listas de fim de ano! Quais foram os melhores e os piores filmes do ano? Quais foram as melhores surpresas e as maiores decepções? Que filme passou despercebido, mas merece a sua atenção? Enfim, para essas e mais respostas é só continuar a leitura.

Porém, antes de começarmos, devo avisar qual foi a regra seguida para a realização dessa lista. Todos os filmes citados estrearam comercialmente no Brasil no ano de 2012, por causa disso alguns filmes que são efetivamente de 2011 entraram na lista. Além disso, filmes de festivais não contam, a não ser aqueles que tenham estreado em circuito ainda este ano.

Dito isso, vamos às listas:


OS MELHORES FILMES DE 2012:

10) Filmes de animação:

No ano de 2012 não houve nenhuma obra-prima ou clássico instantâneo no que diz respeito ao cinema de animação. Entretanto, esses últimos doze meses nos deram vários desenhos extremamente eficientes e divertidos, mesmo que estes não entrem para a história como novos "Toy Story" ou "Shrek".


Logo no início do ano teve o divertidíssimo "As Aventuras de Tintim". O filme do jornalista belga não só foi um ótimo trabalho do diretor Steven Spielberg como também mostrou uma notável melhora na complicada animação por captura de movimentos. A Pixar lançou o simpático "Valente". Não é o melhor filme do estúdio, mas ainda é um longa acima da média. Da Illumination teve "O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida", uma coloridíssima adaptação do livro de Dr. Seuss, contendo músicas muito grudentas e uma mensagem ecológica. Tim Burton voltou aos filmes de stop-motion com o nostálgico "Frankenweenie". Por fim, o francês "O Gato do Rabino" foi uma grata surpresa, falando de diversidade e intolerância religiosa de forma divertida e inteligente.

9) Jovens Adultos:

A segunda parceria entre o diretor Jason Reitman e a roteirista Diablo Cody depois de "Juno" resultou em um ótimo filme de fortíssimo humor negro, "Jovens Adultos". O filme acompanha Mavis Gary, uma autora de livros para jovens-adultos, que volta à sua cidade natal quando descobre que seu antigo namorado do colégio está casado e que acabou de se tornar pai. Entretanto, nesta viagem ela entra em choque com a realidade, mudando sua vida para sempre.

Protagonizado por Charlize Theron em uma excelente performance (ainda não sei como ela falhou em "Branca de Neve e o Caçador"), "Jovens Adultos" conta ainda com uma belíssima atuação de Patton Oswalt, vivendo um deficiente que se torna um grande companheiro de Mavis, e um roteiro afiadíssimo de Cody.

8) J. Edgar:

Dirigido pelo mestre Clint Eastwood, "J. Edgar" conta com uma impressionante performance de Leonardo DiCaprio como o mais famoso chefe do FBI, J. Edgar Hoover. Não compromete também os ótimos desempenhos do elenco de apoio composto por Naomi Watts, Judi Dench e Armie Hammer como Clyde Tolson, braço direito e suposto amante de Hoover.

Sim, a maquiagem não é das melhores (a de Hammer é péssima!), porém a recriação de época é notável, assim como o ótimo roteiro de Dustin Lance Black, oscarizado por "Milk - A Voz da Igualdade". O texto de Black encontra o equilíbrio perfeito entre o bem e o mal, mostrando J. Edgar como uma figura humana, que acerta e erra, sendo ao mesmo tempo visionário e desonesto. Dessa forma, o maniqueísmo é evitado e temos uma ótima e honesta cinebiografia.

7) Drive:

Assim como "J. Edgar", "Drive" ganha pontos por se afastar de uma simples definição de bem e mal. Sim, há vilões bem claros no filme, porém o protagonista está mais para anti-herói do que para um bom samaritano.

Longe de ser um filme cheio de explosões e tiroteios, o que causou a insatisfação de muita gente, "Drive" é, porém, um filme tenso constantemente e quando a ação entra, ela é de tirar fôlego, principalmente nas perseguições de carro.

Protagonizado por Ryan Gosling, o longa de Nicolas Winding Refn conta ainda com participações de Carey Mulligan, Bryan Cranston, Ron Pearlman, Christina Hendricks, Oscar Isaac e Albert Brooks.

6) Anjos da Lei:

"Anjos da Lei" é um daqueles filmes pelos quais você não dá nada. Ao ver o trailer você fica com aquela impressão de que já viu esse mesmo filme várias vezes e o pôster também não tem nada demais. Porém, quando a projeção termina você percebe que isso não passava de uma primeira impressão ruim porque "Anjos da Lei" é uma ótima comédia.

Adaptação da série de tevê dos anos 1980 que revelou Johnny Depp, o filme da dupla Phil Lord e Chris Miller (os mesmos realizadores de "Tá Chovendo Hambúrguer" e da série "Projeto Clonagem") tem um humor extremamente absurdo e grosseiro, o que pode ser desagradável para alguns, porém bastante inteligente, que satiriza (mas que também homenageia) as famosas séries policiais.

Além disso, os protagonistas Channing Tatum e Jonah Hill estão hilários e há até uma ótima performance de Ice Cube(!) como o chefe da divisão 21 Jump Street. Isso sem contar o inesquecível Jesus coreano!

5) Histórias Cruzadas:

A história está longe de ser inovadora, porém o que falta de originalidade, "Histórias Cruzadas" tem de carisma. O excelente elenco predominantemente feminino, com ótimas performances de Viola Davis, Octavia Spencer e Jessica Chastain, e o roteiro bastante otimista fazem do filme de Tate Taylor o melhor feel-good movie do ano.

A luta das empregadas negras pelo fim do preconceito racial no conservador estado do Mississipi é um drama emocionante, mas também muito divertido e, em certos momentos, até hilário. O tema retratado é universal e ainda presente no mundo de hoje e por isso deve ser discutido por toda sociedade, fazendo do filme não só uma forma de diversão, mas também uma importante peça social.

4) Looper - Assassinos do Futuro:

Tudo bem que "Looper - Assassinos do Futuro" tem um final meio repetitivo e que a maquiagem de Joseph Gordon-Levitt é no mínimo estranha, deixando-o não muito parecido com Bruce Willis. Porém, apesar de suas falhas, o filme de Rian Johnson é um dos mais interessantes e originais que vi em 2012.

O filme é uma daquelas ficções-científicas que envolvem o complicado tema da viagem no tempo, o que torna difícil explicar a sua sinopse em poucas linhas, entretanto posso dizer nessas mesmas linhas o porquê de "Looper" ser um dos melhores filmes do ano. Além do roteiro engenhoso, o longa conta com ótimas performances do trio de protagonistas (Gordon-Levitt, Willis e Emily Blunt), um ritmo muito eficiente, um clima setentista e um dos melhores exemplos de que dá para fazer um ótimo sci-fi com um orçamento relativamente baixo para os padrões hollywoodianos (30 milhões de dólares).

3) Os Vingadores - The Avengers:

Não teve para ninguém! Não só "Os Vingadores" foi o maior sucesso de bilheteria do ano como também foi o melhor blockbuster de 2012. O longa de Joss Whedon mostrou que é possível fazer um excelente filme de super-heróis com um número grande de personagens sem sacrificar história nem ritmo.

Além disso, "Os Vingadores" representou uma lufada de ar fresco numa época em que os filmes de quadrinhos querem ser cada vez mais sombrios, consequência do sucesso dos filmes do Batman de Christopher Nolan. O projeto da Marvel é a definição perfeita de filme-pipoca: descompromissado, mas nem por isso idiota. Afinal, o que não falta são cenas de ação incríveis intercaladas por momentos de diálogos recheados de humor inteligente. 

Se "Os Vingadores 2" vai dar certo eu não sei, mas se depender da equipe do primeiro filme, teremos um ótimo arrasa-quarteirão em 2015.

2) A Separação:

Tenho que admitir que antes de "A Separação" eu nunca tinha visto um filme iraniano na minha vida, então não sabia muito o que esperar. Porém, fiquei muito feliz ao ver que não tinha caído numa furada.

Ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro, o filme de Asghar Farhadi é um excelente drama familiar, daqueles que vai ganhando o seu coração ao longo da projeção. Quando você se dá por si, já está completamente envolvido na trama e na vida das personagens. 

O roteiro impecável, as atuações de primeira linha e a direção competentíssima fazem de "A Separação" um belíssimo e indispensável filme.

1) A Invenção de Hugo Cabret:

Quem diria que Martin Scorsese, conhecido por seus filmes fortes e bastante violentos, se sairia tão bem ao dirigir um filme leve e livre para todos os públicos? Mas foi exatamente isso que aconteceu! "A Invenção de Hugo Cabret" é um exemplo de como fazer cinema.

A história do menino que mora numa estação de trem em Paris e que por causa de um autômato entra numa busca pelo pioneiro diretor Georges Méliès é lindíssima e emocionante. O elenco está impecável, principalmente o protagonista Asa Butterfield e o veterano Ben Kingsley. A trilha sonora, a fotografia, a direção de arte, os efeitos especiais, os figurinos: tudo é de altíssimo nível.

Por isso e muito mais que esta verdadeira homenagem ao cinema feita por um dos maiores diretores da atualidade é o melhor filme de 2012.


  • MENÇÕES HONROSAS:
Jogos Vorazes --- um ótimo começo de uma promissora franquia.

Deus da Carnificina --- tinha tudo para ser chato, mas é uma das comédias mais engraçadas e incisivas do ano.

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge --- é o mais fraco dos filmes da trilogia de Christopher Nolan, mas ainda assim é um ótimo desfecho para uma ótima série.

John Carter - Entre Dois Mundos --- um dos filmes mais subestimados do ano! Pura diversão!

Os Mercenários 2 --- nunca imaginei que ia gostar tanto de um filme estrelado por Sylvester Stallone.

As Vantagens de Ser Invisível --- um dos melhores filmes dos últimos anos sobre adolescentes.

Argo --- além de ser um thriller eficiente é também uma baita aula de História e sátira a Hollywood.

O Impossível --- um dos filmes mais emocionantes do ano.

As Aventuras de Pi --- assim como Scorsese, Ang Lee fez ótimo uso do 3D para contar uma ótima história.

Intocáveis --- quem diria que uma descompromissada comédia francesa seria tão divertida?


OS PIORES FILMES DE 2012:

5) Paraísos Artificiais:

Esse foi um verdadeiro tiro n'água! O diretor Marcos Prado tinha as credenciais (produtor dos dois "Tropa de Elite", realizador do documentário "Estamira") e a equipe certa para fazer uma ótima estreia na direção de filmes de ficção. Porém ninguém imaginava que o roteiro ia ser o grande carrasco!

"Paraísos Artificiais" até começa bem, porém tudo põe-se a perder quando a história empaca e fica alternando entre cenas de sexo e cenas de uso de drogas por um tempão. E o pior de tudo é que o filme é bem-feito! Porém não adianta nada ter uma belíssima fotografia e um elenco promissor (principalmente Nathalia Dill) se o seu filme parece um disco riscado.

4) Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança:

Quando o teaser de "Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança" saiu, ele mostrava que ainda havia esperança nessa franquia. Porém, quando o segundo trailer saiu uma boa parte dessa esperança se perdeu. Quando o filme foi finalmente lançado ficou claro que eles têm que acabar com essa brincadeira imediatamente.

Apesar da troca de diretor (sai Mark Steven Johnson, entra a dupla Neveldine/Taylor) e de cenário (sai os EUA, entra o Leste Europeu), "Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança" continua a ser uma vergonha para todos os envolvidos. Está cada vez mais claro que Nicolas Cage precisa fazer um verdadeiro "reboot" na sua carreira, que o sósia britânico do Paulo Goulart é o péssimo Ciarán Hinds e que ninguém aguenta mais cenas de ação filmadas com câmera na mão e com edição frenética.

3) 2 Coelhos:

Valeu a tentativa, mas "2 Coelhos" é um dos filmes mais chatos do ano! Apesar de inovar no cinema nacional, trazendo uma quantidade considerável de efeitos especiais, mesclando live-action com animação e videogame, e mostrar-se um projeto ambicioso, o filme de Afonso Poyart é uma tentativa frustrada, e não uma experiência bem-sucedida.

O problema em si nem é o elenco (que está bem), mas sim a combinação roteiro/visual. A história, escrita por Poyart, segue uma linha cronológica não-linear para fazer uma crítica à corrupção absurda que ocorre no Brasil. Porém, não só o roteiro tem momentos ridículos que são levados muito a sério como também o visual hiperativo acaba ofuscando a história e, consequentemente, a sua mensagem.

2) Corações Sujos:

Esse é mais um daqueles casos em que a promessa era muito, mas muito maior e melhor do que o produto final. "Corações Sujos", baseado no livro de Fernando Morais, conta a história de uma colônia de japoneses no Brasil que se rebela contra aqueles que acreditavam na derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial. Juro, eu vi o trailer desse filme num ônibus e já fiquei interessado. Por isso, quando eu vi o filme, eu fiquei bastante decepcionado.

Dirigido por Vicente Amorim, o filme possui boas atuações, uma fotografia belíssima, uma bonita trilha sonora e uma reconstituição histórica de respeito, porém a emoção vinda desse filme é zero. Parece que entre espectador e tela há uma grossa parede de vidro porque só assim para explicar a monotonia e a frieza desse longa.

1) E Aí, Comeu?:

Definitivamente não foi um bom ano para o cinema nacional, já que o pior filme do ano é um dos maiores sucessos do ano também, "E Aí, Comeu?". O longa de Felipe Joffily mostra as desventuras amorosas de três amigos que se reúnem frequentemente em um boteco para falar das mulheres de sua vida.

Eu fico com pena desse filme por vários motivos. Primeiro, o que poderia ter sido uma comédia inteligente sobre amor, sexo e diferença entre homens e mulheres se tornou uma desculpa para se fazer um bando de piadas estúpidas e grosseiras sem o menor propósito. Segundo, o elenco está totalmente desperdiçado aqui, principalmente Marcos Palmeira e Dira Paes, que coincidentemente protagonizam a única (e melhor) cena do filme, que mostra o que "E Aí, Comeu?" poderia ter sido. Além disso, sou só eu que estou impressionado em como o Bruno Mazzeo se tornou um mala em questão de dois, três anos? E por último, é triste ver que no final do ano foi lançada uma chanchada ("Os Penetras") que consegue fazer comentários mais pertinentes sobre amor, sexo etc. do que essa bomba.

Enfim, o que poderia ter sido uma ótima comédia se tornou um festival de piadas sem graça sem um pingo de "insight".


MAIORES SURPRESAS DE 2012:

3) Espelho, Espelho Meu --- o que parecia ser uma comédia histérica e sem graça, é na verdade um dos filmes mais bonitinhos de 2012.

2) John Carter - Entre Dois Mundos --- o maior fracasso do ano é também um dos filmes de ação mais divertidos do ano.

1) A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2, o Final --- nem eu acreditei no quanto eu gostei desse filme e no quanto eu vou sentir falta dessa franquia.


MAIORES DECEPÇÕES DE 2012:


3) A Origem dos Guardiões --- tudo dava a impressão de que este seria um dos melhores filmes de animação do ano, e não um dos mais chatinhos.

2) Cosmópolis --- no início do ano, David Cronenberg lançou "Um Método Perigoso", um filme muito bom sobre psicanálise. Mais tarde, ele lançou "Cosmópolis": um filme pretensioso e cheio de frases dignas de filosofia de botequim.

1) Moonrise Kingdom --- eu devo ser a única pessoa do mundo que acha isso, mas o novo filme de Wes Anderson é bem mala-sem-alça.


O FILME DE 2012 QUE VOCÊ PRECISA VER:

HOLY MOTORS --- Este é, sem dúvida, o filme mais controverso do ano. Há aqueles que o amam, aqueles que o odeiam, aqueles que não o entendem e aqueles que tentam entendê-lo. Seja qual for a opinião, uma coisa é inegável, o novo filme do diretor Leos Carax é o filme de 2012 que você precisa ver!

Por quê? Porque é um filme único, como nada que você já viu antes. Há personagens estranhíssimos, sequências loucas, uma performance impressionante do ator Denis Lavant, uma linda música cantada por Kylie Minogue e por aí vai. Enfim, você pode até odiá-lo, mas depois poderá dizer que viu.


FELIZ ANO NOVO! ATÉ 2013!

domingo, 23 de dezembro de 2012

O Exótico Hotel Marigold (The Best Exotic Marigold Hotel)


Dir.: John Madden; Escrito por Ol Parker; Com Judi Dench, Tom Wilkinson, Bill Nighy, Maggie Smith, Dev Patel. 2011 - Fox (124 min. - 10 anos)


Sete britânicos, integrantes da terceira idade, estão vivendo o pior momento de suas vidas. Há a viúva que sente falta do falecido marido, vítima de um ataque cardíaco, mas que sofre na hora de pagar ou negociar as dívidas deixadas por ele; há a senhora racista que além de ver o seu glorioso país cheio de imigrantes, está com um sério problema nos quadris; há o juiz da Suprema Corte que deseja encontrar a sua paixão da adolescência; tem o casal que está há décadas junto, mas que enfrenta agora uma grande crise no casamento; e por fim há os dois solteirões que querem encontrar um novo amor. Por bem ou por mal, o destino lhes une quando todos vão para a Índia, mais especificamente à cidade de Jaipur, e se hospedam num hotel caindo aos pedaços. Esta é a sinopse de "O Exótico Hotel Marigold", mais um daqueles filmes extremamente previsíveis que conseguem se sobressair devido ao enorme carisma do elenco.

O filme conta com a presença de grandes nomes do cinema britânico como as adoráveis Judi Dench e Maggie Smith (irretocável!) e os ótimos Bill Nighy e Tom Wilkinson, entre outros. Além disso, quem aparece aqui, numa atuação simpaticíssima, é Dev Patel (o protagonista do oscarizado "Quem Quer Ser um Milionário?") como o gerente do hotel que dá nome ao longa.

O roteiro, por sua vez, apesar de ser óbvio do início ao fim, é um daqueles textos extremamente agradáveis. Os personagens são todos humanos, até mesmo aqueles que mais nos irritam, e a história em si é digna dos melhores "feel-good movies". Além disso, a herança britânica colabora e muito com as situações apresentadas, uma vez que todas apresentam, quando necessário, aquele delicioso humor sarcástico, típico dos ingleses. Entretanto, quando o drama é chamado, ele não é melodramático nem piegas, mas bastante sutil e realista, o que ajudar a criar uma conexão entre o espectador e os personagens.

Não faz mal nenhum também a ótima trilha sonora de Thomas Newman, de forte influência indiana, e a belíssima fotografia de Ben Davis, que deixa até as mais sujas e caóticas cidades da Índia dignas de imagens de capa da National Geographic.

O filme parece uma novela para a terceira idade? Sim. Chega a ser uma obra-prima? Não, longe disso. Quem não gosta de comédia água com açúcar vai gostar? Dificilmente. Mas quem entrar na brincadeira vai se divertir? Com certeza!

NOTA: 3.5/5


O Homem da Máfia (Killing Them Softly)


Dir.: Andrew Dominik; Escrito por Andrew Dominik; Com Brad Pitt, Richard Jenkins, James Gandolfini, Ray Liotta. 2012 - Imagem (97 min. - 16 anos)


Apesar de ser australiano, o diretor Andrew Dominik parece ter um grande interesse pela história e pelo conjunto de valores que moldam a sociedade norte-americana. Em "O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford", Dominik usa a história de um dos bandidos mais famosos dos EUA para fazer um comentário sobre o culto às celebridades. Já em seu mais novo filme, "O Homem da Máfia", o diretor acompanha os serviços de um assassino profissional para analisar a forte ligação entre a sociedade americana e o capitalismo.

O filme tem como protagonista Jackie Cogan, um assassino profissional que é contratado pela máfia para eliminar indivíduos envolvidos com o roubo de uma casa de apostas. Entre os alvos estão os dois assaltantes, o chefe deles e o dono do local assaltado. Entretanto, não espere um filme frenético, cheio de explosões e tiroteios, pelo contrário, "O Homem da Máfia" sustenta-se basicamente nos diálogos entre os mafiosos e os seus funcionários. Mesmo assim, o longa é bastante eficiente e até consegue explicar os intricados planos da máfia de forma relativamente simples.

O elenco, por sua vez, é muito bem aproveitado. Brad Pitt está impecável como o grande canalha que é Cogan. Por sinal, a melhor cena do filme (a última) é a combinação perfeita entre os diálogos afiados de Andrew Dominik e a ótima performance de Pitt. Mas além do galã (num papel totalmente anti-galã, diga-se de passagem), estão também no filme Richard Jenkins, James Gandolfini e Ray Liotta e os desconhecidos Scoot McNairy e Ben Mendelsohn como os dois assaltantes. Todos eles estão muito bem.

Entretanto, o filme falha um pouco na transmissão de sua mensagem para o público. Fica claro que toda a história serve para ilustrar as consequências do capitalismo exacerbado que construiu a maior potência econômica do mundo, já que o diretor usa entrevistas de rádio e trechos de telejornais para localizar o espectador no tempo e no seu contexto político-econômico. Porém, Dominik acaba exagerando na dose, uma vez que em todo momento mais silencioso ele insere trechos de entrevistas ou comentários econômicos que falem sobre a crise de 2008.

Apesar de nunca recuperar a tensão presente em seu primeiro ato, no qual ocorre o assalto que desencadeia toda a história, "O Homem da Máfia" conta com roteiro, diretor e elenco eficientes para não deixar a peteca cair. Sem dúvida não merecia todo o ódio que vem recebendo do público.

NOTA: 3.5/5


sábado, 22 de dezembro de 2012

A Irmã da sua Irmã (Your Sister's Sister)


Dir.: Lynn Shelton; Escrito por Lynn Shelton; Com Emily Blunt, Rosemarie DeWitt, Mark Duplass. 2011 (90 min.)


"A Irmã da sua Irmã" é um daqueles típicos filmes independentes norte-americanos. Os cenários são poucos, o elenco não é grande - porém bastante eficiente -, o roteiro é composto praticamente de diálogos e os aspectos técnicos se resumem apenas ao necessário. E no caso do filme de Lynn Shelton, isso faz parte do charme do projeto, mesmo que o todo não seja perfeito.

O longa conta a história de Jack, um homem desleixado de trinta-e-poucos anos, que ao perder o seu irmão, entra em uma crise emocional. Então, sua melhor amiga, Iris (que por sinal, também era a namorada do falecido), manda-o tirar um dias de folga e ir para o chalé de seu pai, localizado num lugar extremamente tranquilo e isolado.

Porém, ao chegar lá, Jack percebe que não está sozinho, já que a irmã lésbica de Iris, Hannah, também está hospedada no chalé, se recuperando do término de um namoro. Os dois, então, resolvem afogar as mágoas na bebida, ficando completamente bêbados, o que faz com que eles transem, desestabilizando toda a amizade entre amigos e irmãs.

Não há dúvida alguma de que a melhor coisa de "A Irmã da sua Irmã" seja o ótimo trio de protagonistas. Mark Duplass, que costuma estar atrás das câmeras, dirigindo filmes junto de seu irmão, Jay, está muito bem como o típico homem infeliz que não vê mais razão alguma para continuar vivendo. Porém, o melhor fica por conta de Emily Blunt e Rosemary DeWitt, que estão perfeitas como as irmãs Iris e Hannah, respectivamente. Algumas das melhores cenas do filme envolvem conversas confessionais entre elas.

A ambientação do filme, feita basicamente no chalé e em seus arredores, também colabora para que o espectador preste mais atenção aos diálogos e às ótimas performances. Mesmo assim, o filme me pareceu por vezes monótono, o que acabou me afastando um pouco dele.

"A Irmã da sua Irmã" é um daqueles filmes que passariam desapercebidos caso não tivesse recebido uma indicação para DeWitt no Independent Spirit Award. Não merece ser ignorado porque é bastante simpático, porém não é nenhuma maravilha também.

NOTA: 3/5