Dir.: Ben Affleck; Escrito por Chris Terrio; Com Ben Affleck, Bryan Cranston, Alan Arkin, John Goodman. 2012 - Warner (120 min. - 14 anos)
Outro dia, eu estava zapeando pela televisão quando vi que estava passando num canal de música o clipe de "Jenny From the Block" da Jennifer Lopez, aquele clipe em que ela aparece diversas vezes ao lado de Ben Affleck, seu namorado na época. Foi nesse período em que Affleck passou pelo pior momento de sua carreira, estrelando fiasco atrás de fiasco, culminando com o amaldiçoado "Contato de Risco", cuja co-protagonista era exatamente Lopez. Por isso é curioso ver que, hoje em dia, Affleck não só se tornou uma celebridade muito mais discreta como também reconquistou público e crítica depois que deu uma significante guinada em sua carreira: passou a dirigir filmes. O mais novo dessa leva é "Argo".
O filme, passado em 1980, relata uma missão da CIA até pouco tempo desconhecida como também bastante extravagante. Tudo começa com a Crise de Reféns no Irã em 1979, quando 52 funcionários da embaixada americana em Teerã foram mantidos presos pelos rebeldes iranianos, que eram contra o asilo dado pelos EUA ao ditador Mohammad Reza Pahlavi, que necessitava de cuidados médicos. Entretanto, seis funcionários (ou seja, eram 58 funcionários no total) conseguiram escapar e se refugiaram na embaixada canadense.
No ano seguinte, a fim de evitar uma ofensiva militar ao Irã, o presidente norte-americano Jimmy Carter autorizou a CIA a realizar o resgate dos tais seis funcionários que conseguiram despistar os rebeldes. Porém, a missão deveria ser extremamente discreta, de modo que os iranianos não suspeitassem de nada.
A solução encontrada foi inventar um filme falso, que tivesse produtor, pôsteres, anúncio na Variety, roteiro, mas que não seria de fato produzido. Dessa forma, o agente Tony Mendez - que elaborou toda a operação - e os seis americanos presos em Teerã se passariam de membros de uma equipe de filmagem que estaria à procura de locações no Irã para o mais novo sucesso de Hollywood, "Argo", ou em outras palavras, uma cópia descarada de "Star Wars".
Extremamente eficiente e com uma história bastante interessante, "Argo" não só é bem melhor que o filme anterior de Affleck, "Atração Perigosa", como também é um ótimo exemplo de como fazer um thriller. Apesar de mesclar drama e comédia, o filme nunca fica cansativo para nenhum dos dois lados, como também tem um ritmo muito bom.
Grande parte disso deve-se ao ótimo roteiro de Chris Terrio. Baseado em um artigo de jornal e num livro escrito pelo próprio Tony Mendez, o roteiro de "Argo" é muito bem construído, fazendo com que uma história inegavelmente complicada como essa fique fácil de entender e de ser acompanhada. Além disso, as cenas de tensão são realmente emocionantes (especialmente o clímax, que acontece dentro do aeroporto de Teerã) e as cenas cômicas são bastante ácidas aos bastidores de Hollywood, mas também prestam uma homenagem à maquina cinematográfica norte-americana.
Por também ser ator, a principal qualidade de Ben Affleck como diretor é exatamente saber como lidar com o seu elenco, e no caso de "Argo" este é bem grande. Mesmo assim, todos os atores aqui estão muito bem, incluindo Affleck, que como intérprete é bastante irregular, e Bryan Cranston, que aqui vive o chefe de Tony Mendez. Mas os melhores são mesmo os veteranos John Goodman e Alan Arkin, ambos incríveis.
Enfim, apesar de pecar um pouco no final com algumas doses de pieguice e uma certa brincadeira de mal gosto com o Canadá, "Argo" é realmente um ótimo thriller. Não é essa maravilha toda que dizem por aí (sério, é só entrar em qualquer site dos EUA especializado em cinema e você vai ver o "hype" absurdo que colocam sobre esse filme), mas é, sem dúvida, um filme pipoca com inteligência.
NOTA: 4/5

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