quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Cine Majestic (The Majestic)


Dir.: Frank Darabont; Escrito por Michael Sloane; Com Jim Carrey, Bob Balaban, Hal Holbrook, Laurie Holden, Martin Landau. 2001 - Warner (152 min. - Livre)


"Cine Majestic" é um filme "-inho"! Mas o que é um filme "-inho"? Bem, em poucas palavras um filme "-inho" é aquele que nós podemos caracterizar com vários adjetivos no diminutivo, não necessariamente no seu sentido denotativo. Podemos dizer, portanto, que "Cine Majestic" é um filme bonitinho, bem-feitinho, fofinho, longuinho, bobinho e chatinho.

Dirigido por Frank Darabont, realizador de "Um Sonho de Liberdade" e "À Espera de um Milagre", "Cine Majestic" conta a história de um roteirista de filmes-B da Hollywood dos anos 1950, que logo quando vê a chance de escrever um grande filme, com uma emocionante história e um elenco de astros, é acusado pelos macarthistas de ter envolvimento com os temidos comunistas.

Então, na noite em que é demitido do estúdio e tem o seu filme cancelado, Peter (o roteirista) enche a cara em um bar e sai dirigindo pelos arredores de Los Angeles, quando sofre um acidente e acorda, sem memória, em uma cidade parada no tempo e marcada pela morte de seus filhos na Segunda Guerra Mundial.

Porém, os habitantes da cidade começam a achar que Peter é Luke Trimble, filho desaparecido do dono do cinema da cidade, o Majestic, fechado há quase uma década. Ficam, então, as perguntas: Peter é mesmo Luke? Luke morreu mesmo na Guerra, o que justificaria o seu desaparecimento? Por via das dúvidas, Peter ou Luke resolve se enturmar com os habitantes da cidade, reatar um antigo romance e reabrir o velho Cine Majestic.

A história em si já dá indícios de um filme que manipula emoções, isto é, daqueles que faz de tudo para arrancar uma lágrima que seja dos olhos dos espectador e que o faz abrir um sorriso quando necessário. Porém, para mim, isso não é problema! Há muitos filmes manipuladores extremamente interessantes. Um exemplo recente é "Cavalo de Guerra" de Spielberg, que aumentava a trilha sonora de John Williams sempre que queria causar algum tipo de emoção no espectador. 

O problema de "Cine Majestic" é que a parte mais interessante do filme são os seus primeiros quinze minutos, que se passam na Los Angeles dos anos 1950. Neste trecho, há um ótimo humor satírico sobre os bastidores de Hollywood (a primeira cena é, talvez, a melhor do longa) como também homenageia muito bem o ato de ir ao cinema. Na verdade, o início da estadia de Luke na pequena cidade de Lawson também é bastante interessante, pois conhecemos todos os personagens e a própria história da localidade através de uma eficiente mistura de drama e comédia.

O problema está, realmente, no momento em que o filme adota um lado mais dramático, culminando na sua última meia-hora. Neste trecho, os dramas ficam desinteressantes, o romance se torna bobo e o pior de tudo, o patriotismo do filme vira uma verdadeira peça moralista. O filme prega a liberdade de expressão e o respeito aos nossos heróis, no caso do filme os veteranos e vítimas da guerra, algo, definitivamente, essencial. Porém, o clímax do filme é tão didático e piegas que suga qualquer força presente nos valores  defendidos pelo longa, o que só é prejudicado pelas suas excessivas duas horas e meia de duração.

Felizmente, o filme tem suas qualidades, sendo a principal delas a ótima performance de Jim Carrey. A sua bela atuação melhora muitas partes do longa, principalmente o clímax, que como já comentei acima, é bem bobinho.

Além de Carrey, quem também faz um ótimo trabalho são Martin Landau e Gerry Black, que vivem, respectivamente, o dono e o lanterninha do Majestic. Ambos têm cenas fortes e importantes com Carrey e se saem muito bem nelas.

Outra qualidade inegável de "Cine Majestic" é a impecabilidade técnica. A fotografia de David Tattersall é um colírio para os olhos, enquanto a direção de arte da dupla Erik Carlson e Tom Walsh e o figurino desenhado por Karyn Wagner são também de extremo profissionalismo. Além disso, a trilha sonora de Mark Isham, que possui um pezinho no jazz, também é um dos pontos altos do filme.

Enfim, apesar de ter boa intenções, seja em homenagear aqueles que lutaram na Segunda Guerra Mundial, seja em louvar a arte de ir ao cinema, e não ser um filme de todo ruim, "Cine Majestic" peca ao confundir diversão inteligente com moralismo chato.

NOTA: 2.5/5


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