sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Os Mercenários 2 (The Expendables 2)


Dir.: Simon West; Escrito por Richard Wenk e Sylvester Stallone; Com Sylvester Stallone, Jason Statham, Dolph Lundgren, Chuck Norris. 2012 - Imagem (103 min. - 16 anos)


Quando "Os Mercenários" foi anunciado, o que não faltou foi marmanjo ficando animado por ter a oportunidade de ver em um único filme os maiores astros do cinema de ação do passado e do presente arrebentando com vilões em grande estilo. Entretanto, ninguém sabia se a empreitada ia dar certo ou se ia ser um tiro n'água. Felizmente ou infelizmente (você decide, pois ainda não vi o primeiro filme), "Os Mercenários" foi um grande sucesso de bilheteria, garantindo, então, a produção de uma sequência. Daí surgiu "Os Mercenários 2".

Para ser sincero, eu nem ia assistir a esse filme nos cinemas, afinal não tinha visto o primeiro filme, portanto a sua sequência não me interessava. Entretanto, lá fui eu ver o longa de Sylvester Stallone e companhia esperando uma das duas coisas: ou o filme ia ser péssimo ou ia ser tão ruim, mas tão ruim que seria bom. No final das contas, não foi nenhuma das duas coisas porque "Os Mercenários 2" é um ótimo filme. E ponto final.

Mas, afinal, como é que esta pérola do cinema de ação me surpreendeu tanto positivamente? Simples, ele resolveu brincar com o que tinha em mãos: atores conhecidos mais pelo seu físico do que pela sua capacidade de atuar, violência extrema, diálogos risíveis, vilões caricatos e por aí vai.

Primeiro de tudo, o elenco não decepciona e consegue ter boas atuações, mas ao mesmo tempo não deixa de lado o seu espírito de machão assassino. A violência é bem gráfica. O que não falta é sangue voando para tudo que é lado! Os diálogos são bem cafonas de propósito. E o vilão chamado Villain (com ênfase na última sílaba), vivido por ninguém menos que Jean-Claude Van Damme (o símbolo eterno do "Domingo Maior"), é deveras canastrão. Isso sem contar o "lindo" sotaque belga digno de muitas risadas do ator. Agora, imagina tudo isso sendo satirizado. É diversão certa!

A história aqui é o de menos! O que digo é que envolve um esquema de plutônio que se utilizado pode iniciar uma guerra nuclear. Enfim, aquele típico enredo idiota de filme de ação dos anos 80, mas que de alguma maneira, diverte.

Seja pela sobrancelha eternamente levantada de Sylvester Stallone (consequência das inúmeras injeções de botox a que o ator se submeteu), pela cameo memorável de Chuck Norris, pela heroína tão durona quanto os brucutus ou pelo simples fato de ser, ao mesmo tempo, paródia e homenagem ao tresloucado cinema de ação de 20, 30 anos atrás, "Os Mercenários 2" merece a sua atenção como uma diversão descerebrada de altíssima qualidade.

NOTA: 4/5


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Margaret (Margaret)


Dir.: Kenneth Lonergan; Escrito por Kenneth Lonergan; Com Anna Paquin, J. Smith-Cameron, Jeannie Berlin, Jean Reno, Matthew Broderick, Matt Damon, Mark Ruffalo. 2011 - Fox (150 min.)


Há várias maneiras de alimentar uma curiosidade por um filme. Pode ser um trailer eficiente, um elenco incrível, um renomado diretor, uma intrigante premissa ou até uma grande polêmica. Este último é o caso de como eu criei uma certa atração por "Margaret", do diretor Kenneth Lonergan.

Esse filme, apesar de ter um elenco recheado de caras conhecidas como Anna Paquin, Jean Reno, Matthew Broderick e Matt Damon por pouco não é lançado, pelo simples fato do  diretor nunca conseguir finalizá-lo. Filmado ao longo de três meses em 2005, "Margaret" passou anos e anos sendo editado e re-editado, gerando uma longa novela que chegou à elaboração de dois processos judiciais e ao envolvimento de Martin Scorsese - que junto de sua editora de longa data, Thelma Schoonmaker, tentou montar uma versão final do longa que agradasse ao diretor e ao estúdio - e dos produtores Scott Rudin, Sidney Pollack e Anthony Minghella, sendo que os dois últimos morreram antes do filme ser finalmente lançado.

No final das contas, "Margaret" estreou em 2011, seis anos após o fim das filmagens, tendo uma quase nula campanha de divulgação e recebendo opiniões divergentes dos críticos especializados. Mas, enfim, "Margaret" vale esse drama todo? Não, mas nem por isso deixa de ser um bom filme.

O longa acompanha o drama de uma adolescente de 17 anos chamada Lisa, que após presenciar o terrível atropelamento de uma mulher por um ônibus, passa a se sentir culpada pelo ocorrido, já que ela foi a responsável pela distração do motorista no momento do acidente. Daí, ela inicia uma busca por justiça para, enfim, ficar com a consciência limpa.

Entretanto, essa é apenas a espinha dorsal do filme, já que várias outras tramas envolvendo Lisa se desenrolam ao longo de seus 150 minutos de duração, incluindo a relação entre a jovem e sua mãe atriz, o seu envolvimento com o professor de Geometria e perda da sua virgindade com um garoto já comprometido.

A maior razão para se assistir a "Margaret", porém, nem é toda a polêmica envolvendo a pós-produção do filme, mas sim a incrível performance de Anna Paquin. Apesar de ser um pouco velha demais para o papel de Lisa, afinal ela já tinha 24 anos durante as filmagens, é ela quem consegue sustentar todas as histórias ao seu redor, algo bastante difícil, uma vez que ela interage com diversos atores diferentes em diversas tramas diferentes. Não é por nada que ela ganhou o seu primeiro Oscar como atriz coadjuvante aos 11 anos de idade pelo filme "O Piano" como também ainda é o principal (se não o único) motivo para ainda se assistir a "True Blood" da HBO.

Outros pontos altos do filme são as atuações de outras duas atrizes, não muito conhecidas, mas de extrema importância na trama do longa. A primeira delas, J. Smith-Cameron, vive Joan, a mãe da protagonista. Paquin e Cameron possuem ótimas cenas juntas, nas quais as duas têm chance de mostrar todo o seu potencial dramático, tanto em cenas tristes (como as brigas entre as personagens) como também em momentos felizes (como a sequência que fecha o filme). A outra atriz é Jeannie Berlin, que vive Emily, a melhor amiga de Monica, vítima do acidente que dá o pontapé inicial no filme. Indicada ao Oscar e ao Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante em 1972 por "The Heartbreak Kid", Berlin é outra que tem grandes momentos com Paquin, principalmente numa discussão entre as duas sobre a morte de Monica, gerando um desentendimento entre elas.

Entretanto, o filme tem seus problemas. O principal deles é exatamente a união de todas essas histórias durante o tempo de duração do filme. Como são várias, muitas delas são pouco exploradas ou simplesmente desaparecem. Um exemplo disso é uma trama envolvendo a paixonite de um nerd por Lisa. No início do filme, ela ganha bastante atenção, porém com o desenrolar do filme, ela literalmente some. 

Isso sem contar as inúmeras cenas em que Lisa e seus colegas de turma debatem assuntos como a qualidade dos presidentes norte-americanos ou o terrorismo. Apesar de algumas dessas cenas serem interessantes e ajudarem a construir o caráter da protagonista, elas são muitas e não tão importantes à história em si.

Longo, bagunçado, imperfeito, mas também envolvente, emocionante e bem-feito, seja na direção, nas atuações ou na construção dos diálogos, "Margaret" demorou para ver a luz de um projetor, mas quando a viu conseguiu cumprir o seu papel.


NOTA: 3.5/5


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Um Divã para Dois (Hope Springs)


Dir.: David Frankel; Escrito por Vanessa Taylor; Com Meryl Streep, Tommy Lee Jones, Steve Carell. 2012 - Imagem (100 min.)


Realmente, parece que o mundo do entretenimento está finalmente descobrindo, ou melhor, valorizando um de seus públicos mais cativos: a terceira idade. Há pouco tempo atrás era difícil ver filmes, séries e programas de tevê voltados a essa faixa etária que não fossem relacionados, principalmente, à saúde. Entretanto, a situação está mudando: se antigamente, na televisão norte-americana, a grande sacada era veicular propagandas voltadas aos jovens, atualmente, o que não falta são anúncios que procuram atrair os aposentados, para o bem ou para o mal, é verdade. E no cinema essa mudança também é visível, uma vez que cada vez mais filmes voltados para os sexagenários, septuagenários, octogenários etc. estão sendo lançados. Um exemplo recente foi o inglês "O Exótico Hotel Marigold", que reuniu grandes estrelas do cinema britânico como Judi Dench e Maggie Smith, e ainda foi um sucesso de bilheteria, arrecadando mais de 130 milhões de dólares em cima de um orçamento de apenas 10 milhões. Não é por nada, então, que "Um Divã para Dois" tenha sido lançado e venha tendo uma competente carreira nos cinemas.

Protagonizado por dois veteranos de Hollywood, Meryl Streep e Tommy Lee Jones, o filme de David Frankel acompanha um casal que viaja até o estado norte-americano do Maine para fazer parte de um tratamento intensivo com um conhecido terapeuta, vivido por Steve Carell, afim de salvar o seu casamento decadente. Não é surpresa que ninguém está feliz com esse cenário, mesmo que por motivos diferentes. Kay (Streep) não aguenta mais dormir num quarto separado de seu marido nem da falta de carinho que este tem com ela. Por outro lado, Arnold (Jones) está bastante estressado por ter sido indiretamente obrigado por sua esposa a participar do tratamento. Esse é o ponto de partida de "Um Divã para Dois", uma comédia irregular, mas muito divertida sobre os desejos de um casal da terceira idade.

O principal ponto a ser notado é a franqueza com a qual os personagens falam sobre sexo. Em nenhum momento o diálogo parte para a baixaria ou coisa parecida, mas pelo contrário, todas as conversas ou situações de conteúdo sexual são tratadas de forma realista, mas ao mesmo tempo sutil. Enfim, em "Um Divã para Dois" masturbação, sexo oral, ménage a trois: tudo isso é motivo de piada, mas de uma forma nem um pouco vulgar, algo importante num filme desse gênero. Afinal, não estamos falando de nenhuma comédia escrachada.

Parte do sucesso desse equilíbrio entre sexo e sutileza se deve aos dois atores principais. Streep e Jones não só têm uma ótima química juntos como também sabem administrar muito bem as piadas mais sugestivas. Num certo momento, por exemplo, Meryl tenta, de forma fracassada, fazer sexo oral em Jones dentro de um cinema. Essa cena tinha tudo para dar errado e fazer com que os atores parecessem dois ridículos, mas não, Meryl e Tommy se saem bem e fazem desta cena uma das melhores do longa. 

No final das contas, percebe-se que "Um Divã para Dois" acerta exatamente onde, por exemplo, "Sex and the City 2" erra de maneira vergonhosa. No filme de Sarah Jessica Parker e cia. é ridículo ver quatro quarentonas achando que tem vinte e poucos anos, falando de sexo como se tivessem acabado de entrar na faculdade, já em "Um Divã para Dois" os protagonistas realmente parecem duas pessoas de sessenta e poucos anos falando sobre sexo. Nesse sentido, é louvável, portanto, o trabalho da roteirista Vanessa Taylor.

Entretanto, nem tudo são flores. O filme em certos momentos parece novelesco demais, o que é apenas realçado pela trilha sonora infeliz composta por Theodore Shapiro. Isso sem contar na seleção de músicas digna do setlist da JB-FM. Além disso, Steve Carell me pareceu subaproveitado no filme. Ele, que é um grande comediante, não tem momentos de destaque, uma vez que ele basicamente serve de escada para Meryl e Tommy desenvolverem os seus diálogos.

Engraçado, bem dirigido, com excelentes atuações de seus protagonistas e, por que não, um pouco cafona, "Um Divã para Dois" não é perfeito, mas nem por isso merece ser ignorado.

NOTA: 3.5/5 


O Gato do Rabino (Le Chat du Rabbin)


Dir.: Antoine Delesvaux e Joann Sfar; Escrito por Sandrina Jardel e Joann Sfar; Com François Morel, Mathieu Amalric, Hafsia Herzi. 2011 - Imovision (100 min.)


Logo no início de "O Gato do Rabino", há uma narração feita pelo próprio bicho do título explicando o porquê dos judeus preferirem ter gatos a cachorros. A explicação é bastante simples: os judeus não gostam de cachorros pelo fato de eles estarem sempre atrás de seu dono, como se o perseguisse, e como os judeus já foram perseguidos diversas vezes, eles se sentem desconfortáveis nessa situação. Por isso, eles preferem os gatos, já que estes são independentes e não fiquem rodeando o dono o tempo inteiro. Digamos que esta pequena fala já dá uma amostra do que vai ser o resto do filme.

"O Gato do Rabino", vencedor do César 2012 (o Oscar do cinema francês) de melhor filme de animação, está longe de ser um filme para crianças, pelo contrário, o seu público alvo são os adultos. Um exemplo disso é a própria temática do filme, extremamente ligada à religião. Além disso, há algumas (mas sutis) cenas de sexo e outras sequências mais violentas. Só esse já é um motivo para conferir o filme, já que animações adultas são raras de se encontrar em nossos cinemas. Mas há outro motivo: "O Gato do Rabino" é muito bom.

O longa conta a história de um grupo formado por um gato e um burro falantes, dois rabinos e dois russos - um judeu e outro constantemente bêbado -, que viajam à bordo de um mini-trator Citroën 1925 da Argélia até a Etiópia, onde supostamente os judeus vivem em paz. Entretanto, até chegar nessa história principal, o filme narra pequenas histórias que ajudam na apresentação e construção dos personagens. Estes contos explicam desde como o gato adquiriu o dom da fala até como o judeu russo chegou à Argélia dentro de uma caixa.

A maior qualidade de "O Gato do Rabino" é a forma como trata as religiões. Os roteiristas decidiram por satirizar, mas ao mesmo tempo homenagear diversas crenças, principalmente o judaísmo e a fé muçulmana. Dessa forma, o filme possui piadas inteligentes, mas que ao mesmo tempo não causam nenhum mal estar no espectador.

Outro triunfo dessa animação francesa são os seus personagens. O narrador da historia, o gato que quer fazer um bar mitzvah, é uma figura bastante interessante por ser irônico, estressado, irritante, mas também muito divertido. O seu dono, o rabino, também é ótimo, mas exatamente por ser o oposto do seu bichinho de estimação. Ele é basicamente um doce de pessoa. Outro personagem muito bom é o russo Vastenov, um bebedor inveterado de vodca, responsável por ótimos momentos no filme como quando compara o seu amor à bebida e ao tabaco ao amor que o rabino sente por Deus.

Um longa de cores e opiniões fortes, "O Gato do Rabino" não é uma unanimidade (posso apostar que muitos não vão gostar), mas merece a sua atenção por ser um dos filmes de animação mais interessantes (e excêntricos) do ano.


P.S. - Para quem for fã do Tintim, fique atento à participação do personagem perto do final do filme.


NOTA: 4/5


sábado, 1 de setembro de 2012

Passageiros (Passengers)


Dir.: Rodrigo García; Escrito por Ronnie Christensen; Com Anne Hathaway, Patrick Wilson, Dianne Wiest. 2008 - Imagem (93 min.)


Ao olhar a capa do DVD ou ao assistir ao trailer de "Passageiros", alguém pode jurar de que se trata de um filme de suspense. Realmente, o filme é um suspense propriamente dito até certo ponto. Depois disso? Nem ele mesmo sabe! Só por essa introdução já deu para perceber que "Passageiros" não é um filme perfeito.

O longa, dirigido por Rodrigo García (realizador do simpático "Albert Nobbs"), acompanha Claire, uma terapeuta vivida por Anne Hathaway, que após um acidente de avião deve oferecer tratamento psicológico aos sobreviventes do desastre. Mas é claro que por trás do acidente há muitas outras coisas acontecendo, que o espectador só irá descobrir ao final da sessão.

Como o assunto já ficou encaminhado, vou começar esta resenha falando sobre a maior falha do filme: o modo como o roteirista Ronnie Christensen trata dos diversos gêneros cinematográficos abordados pelo longa. No início, ele é decididamente um suspense, porém com a entrada do personagem de Eric, vivido por Patrick Wilson, o filme passa a mesclar suspense e romance de uma forma não muito eficiente. Há momentos em que o filme parece mais uma comédia romântica, para ser sincero. No final, então, o filme volta a ser um suspense. Tudo isso permeado, ainda, pelos dramas dos passageiros e de Claire. Resumindo, o filme não sabe se é drama familiar, suspense ou romance. Dava para misturar tudo isto num filme de forma satisfatória? Dava. Mas parece que Christensen não tem habilidade suficiente para isto.

Ainda quanto ao roteiro, a sua revelação final não é tão surpreendente quanto tem a intenção de ser. O espectador, ao longo do filme, já consegue ligar os pontos e ter pelo menos uma ideia de qual vai ser a conclusão da trama.

A trilha sonora de Edward Shearmur também me incomodou um pouco. Na minha opinião, ela tem cara de trilha de programa televisivo e não de filme. Não que eu esteja dizendo que as trilhas sonoras feitas para a TV sejam ruins, mas como cinema e televisão são mídias parecidas, mas ao mesmo tempo muito diferentes entre si, a trilha sonora me pareceu simplesmente deslocada.

Em outros aspectos o filme é até competente. As atuações são boas (apesar de Anne Hathaway, sempre que sua personagem iniciava uma sessão, mudasse totalmente de voz, parecendo uma locutora de aeroporto ou coisa do gênero, com voz calma e meio sussurrada), a fotografia é bem feita e a direção de arte é simples, mas de qualidade.

Enfim, "Passageiros" é mais um daqueles filmes que tenta ser maior do que pode, aderindo a vários gêneros diferentes ao mesmo tempo, mas que acaba não conseguindo atingir os seus objetivos. 



NOTA: 2.5/5


A Caixa (The Box)


Dir.: Richard Kelly; Escrito por Richard Kelly; Com Cameron Diaz, James Marsden, Frank Langella. 2009 - Imagem (115 min. - 14 anos)


"A Caixa" é aquele tipo de filme cujo trailer atrai o espectador rapidamente, mas que após ser visto em sua forma integral causa as mais diversas reações: desde "incrível!" até "sério?!". Para ser sincero, eu fui um desses que simplesmente não acreditou no que viu, no mau sentido.

A premissa do filme é bastante interessante e curiosa: um casal, Norma e Arthur, recebe um dia de manhã uma embalagem junto com um bilhete. Dentro da embalagem há uma caixa com um botão no centro, enquanto que no bilhete há assim escrito: "o sr. Steward irá visitá-los às cinco da tarde". Quando, o tal sr. Steward aparece, ficamos sabendo do que se trata a tal caixa. Caso o seu botão for pressionado, o casal recebe um milhão de dólares, mas causa a morte de uma pessoa que eles não conhecem. Caso contrário, a caixa é devolvida e a oferta será feita a outro casal.

Através de cenas que apresentam as personagens, ficamos sabendo que Norma é uma professora de uma escola particular e que Arthur é um funcionário da NASA. Além disso, fica claro que a vida do casal não está fácil. Norma recebe a notícia de que o desconto na mensalidade do colégio para filhos de professores vai ser cortado, e que, portanto, para que seu filho, Walter, continue estudando na instituição, ela e o marido terão que arranjar dinheiro para pagar a mensalidade integral. Enquanto isso, Arthur é recusado para servir como astronauta, o que impossibilita o aumento de sua renda familiar.

Fica claro, então, de que não há outra opção para o casal a não ser apertar o botão da caixa e aceitar a quantia de um milhão de dólares oferecida pelo sr. Steward. Entretanto, quando isto é feito a situação se complica e a vida de Norma e Arthur é posta em perigo.

Mas, afinal, com um início tão intrigante, o que pode ter dado errado? Simples, o que a princípio era atípico, mas crível, torna-se a partir do meio do filme algo completamente absurdo, às vezes beirando o ridículo. Não posso contar o que me deixou com a pulga atrás da orelha neste trecho longo do filme, pois senão estrago toda a surpresa para quem, eventualmente, queira assisti-lo, mas fica a crítica.

Outro ponto que também não me agradou foi a atuação de alguns integrantes do elenco, principalmente Cameron Diaz. Apesar de ser uma das atrizes de que mais gosto, neste filme Diaz atua de uma forma bastante afetada. O tempo todo ela fala com uma voz calma e aguda, até mesmo em momentos de maior tensão.

O roteiro também, por vezes, peca nos diálogos. Algumas das falas entre Diaz e James Marsden, os protagonistas, são bem ruinzinhas. Uma delas ocorre logo no início do filme quando os dois estão na cozinha, discutindo se apertam ou não o botão da caixa e Marsden pergunta para Diaz: "você me conhece?"; para o qual Diaz responde: "melhor do que você mesmo". Chega a ser paradoxal um filme comercial, mas com pretensões mais artísticas como este ter diálogos desse nível.

Mesmo assim, o filme, felizmente, tem alguns pontos positivos. A fotografia, o figurino e a direção de arte juntas contribuem para criar um clima nostálgico ao filme, que se passa na década de 1970. Além destes, a trilha sonora, apesar de ser um pouco irregular, também traz o clima certo ao longa.

No geral, "A Caixa" é um filme que tinha uma ideia interessante e críticas pertinentes à sociedade, mas que desperdiça tudo isto numa história que se perde no meio do caminho e que faz desta mais uma daquelas típicas experiências frustradas. Tinha tudo para dar certo, mas acaba sendo um filme no máximo razoável. 


NOTA: 2.5/5


Contatos de 4º Grau (The Fourth Kind)


Dir.: Olatunde Osunsanmi; Escrito por Olatunde Osunsanmi; Com Milla Jovovich, Will Patton, Hakeem Kae-Kazim. 2009 - Imagem (98 min. - 16 anos)


Logo no início de "Contatos de 4º Grau", Milla Jovovich aparece, diz quem é e começa a falar do filme que veremos a seguir. Ela reporta o seguinte: este filme é baseado em fatos e, para manter a veracidade, o diretor optou por mesclar cenas filmadas especialmente para o filme e filmagens e gravações reais.

Mas afinal do que se trata "Contatos de 4º Grau"? O filme relata as supostas abduções alienígenas que ocorrem frequentemente na cidade de Nome, no Alasca, e para isso, se baseia nas pesquisas feitas pela psicóloga Abigail Taylor, interpretada por Jovovich nos trechos ficcionais, e em uma entrevista dada pela própria a um professor da Universidade Chapman, na Califórnia.

Para início de conversa, basta uma pesquisa na internet para descobrir que esses trechos "reais" na verdade foram filmados especialmente para o filme, usando atores pagos. Esta parte, portanto, funciona como um filme da franquia "Atividade Paranormal".

Entretanto, esta parte até funciona, o problema maior está no trecho "encenado". Milla Jovovich, que já é mestre em fazer filmes de terror ou suspenses, está bem no papel e atua direitinho, sem prejudicar o filme. O problema é que os atores coajuvantes são bem fraquinhos. Will Patton, que interpreta o Xerife August, por exemplo, é bastante canastrão, tanto que algumas cenas suas causam risos involuntários.

Além disso, o roteiro possui alguns dos clichês mais usados no cinema como o filho que fica revoltado quando o pai morre e passa a culpar a mãe de tudo o que acontece. Aqui, isto é a base do relacionamento entre Abigail e seu filho, Ronnie.

Mas eu diria que a maior falha de "Contatos de 4º Grau" são algumas das escolhas estilísticas do diretor Olatunde Osunsanmi. A primeira delas é o maior clichê dos filmes de terror atualmente: a fotografia azulada. Não que ela seja feia nem nada, mas é que ela já foi usada tantas vezes neste tipo de filme que não traz mais clima algum às cenas. Outra coisa incômoda são os flashbacks, que mostram, em partes, o que aconteceu às vítimas das supostas abduções. Eles usam e abusam da fotografia azulada já citada, como também utilizam bastante câmera lenta e câmera rápida, além da imagem distorcida e de ecos nas vozes das personagens e nos ruídos. O que poderia ser assustador acaba ficando com cara de episódio de "CSI". Em suma, o filme é bem cafona.

Por outro lado, o filme têm alguns acertos. O maior deles é exatamente a escolha de mesclar as cenas claramente feitas para o filme com as tais filmagens e gravações "reais". Outra escolha interessante é o uso de ligações feitas para uma central de denúncias de OVNIs durante os creditos do filme.

Enfim, "Contatos de 4º Grau" poderia ter sido um filme muito mais interessante se evitasse a cafonice, mas ainda assim serve para ser visto numa tarde chuvosa com um grupo de amigos. Fora isso, é melhor escolher outro filme. 



NOTA: 2.5/5